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Eclipse solar transforma o dia em noite em países da América do Sul

Um eclipse solar total mergulhou na escuridão, nessa terça-feira (2), uma faixa de 150 km, no norte do Chile e no centro-norte da Argentina, antes de se perder no Oceano Atlântico, em uma festa com centenas de milhares de pessoas extasiadas pelo fenômeno. Minutos antes de ocorrer o eclipse total e de que as regiões de Coquimbo e Atacama escurecessem completamente, por volta de 16h39 no horário local (17h39 em Brasília), reinava o silêncio.

Eclipse visto no Observatório Europeu Austral (ESO), no Chile (Foto: Martin Bernetti/AFP)

À medida que o Sol foi escurecendo para dar lugar à penumbra e revelar uma coroa de fogo em volta do astro, surgiram aplausos e gritos entre quem viveu este momento único. “Oh meu Deus, é incrível”, gritaram algumas das mil pessoas que subiram até o observatório La Silla, situado a 2,4 mil metros de altura, nas proximidades de La Higuera. “Outra, outra”, lançaram vários visitantes uma vez que o fenômeno terminou, após dois longos minutos.

Muitas pessoas se reuniram para acompanhar o eclipse no Chile (Foto: Claudio Reyes/AFP)

“É impressionante. Mesmo que você saiba o que vai acontecer, é chocante o minuto em que começa a vir a sombra da escuridão e começa esse silêncio”, diz Sonia Duffau, astrônoma chilena. Para o turista do Chile René Serey, esta “foi uma experiência para ser vivida várias vezes na vida”. Cerca de 20 minutos antes do início do eclipse total, a temperatura caiu vários graus e uma pequena brisa começou a percorrer esta “Zona Zero” da observação astronômica.

Eclipse pôde ser visto de forma parcial em Porto Alegre, no RS (Foto: Juan Mabromata/AFP)

Capital da astronomia

Mas o interesse despertado por este fenômeno, que pôde ser visto em boa parte do Cone Sul, foi generalizado. Em Santiago, os terraços dos edifícios altos do centro da cidade, as praças e os parques se encheram de pessoas que, em muitos casos, viam um eclipse pela primeira vez.

Na Argentina, o principal ponto geográfico de observação foi a região de Cuyo, onde milhares de pessoas transformaram o fenômeno em um passeio turístico. Na capital, Buenos Aires, não se pôde ver nada pela inclinação do Sol perto do horizonte na hora do fenômeno, além das nuvens e dos edifícios. “O Chile é hoje em dia a capital do mundo em astronomia”, disse o presidente chileno, Sebastián Piñera, que foi até La Silla e depois a La Higuera, um pequeno povoado aos pés do observatório, para observar o eclipse em seu epicentro. “Somos os olhos e os sentidos da humanidade para poder olhar, observar e estudar as estrelas e o Universo”, afirmou Piñera.

Visão do eclipse solar na Argentina – Foto: Alejandro Pagni/AFP

Não é comum que um eclipse total passe justamente sobre um observatório profissional. Operado pelo Observatório Europeu Austral (ESO), La Silla – a 2.400 metros de altura – se preparou há anos para viver este momento. “Muito poucas vezes aconteceu que a totalidade de um eclipse seja vista sobre um observatório. A última vez que isso aconteceu foi no ano 91″, no observatório de Mauna Kea (no Havaí)”, diz o astrônomo do ESO Matías Jones.

Os cientistas iam comprovar algumas teorias e pôr em prática experimentos. “Os eclipses são uma chance para poder estudar a parte externa da atmosfera, que é a coroa, já que a Lua está tapando toda a parte central do Sol”, explica. Poder prever o momento exato do eclipse é também uma façanha científica. “O fato de que possamos prever que hoje vamos ter um eclipse total em La Silla é um tributo à humanidade”, afirmou o diretor-geral do ESO, Xavier Barcons.

La Silla foi um dos primeiros observatórios internacionais instalado no norte do Chile, que graças a seu céu virgem concentra quase 45% da observação astronômica mundial, com os mais potentes telescópios e radiotelescópios do mundo. Nos povoados do interior das regiões de Coquimbo e La Serena – a entre 500 e 800 km ao norte de Santiago – vivia-se este momento mágico como uma festa popular, um século depois de que outro fenômeno similar, ocorrido em Sobral no Brasil, permitiu a um grupo de cientistas comprovar pela primeira vez a teoria da relatividade de Albert Einstein e consolidar uma das maiores revoluções da história da ciência.

“É muito bom ver muita gente aqui (…) É muito importante comunicar que o que fazemos não é tão complicado. Se não temos esta conexão com o público, pode-se pensar que o que fazemos é muito complicado e não é bem assim”, diz entusiasmado o astrônomo armênio-iraniano Elyar Sedaghati, a ponto de ver seu primeiro eclipse solar total. Entre 300.000 e 350.000 pessoas foram às regiões de Coquimbo e Atacama para vivenciar este eclipse, iniciado no Pacífico. (AFP com Agencias).

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