Nordeste

Missa do Vaqueiro une fé e cultura no sertão de Pernambuco

Começa nesta sexta-feira (26) a tradicional Missa do Vaqueiro de Serrita, no Sertão de Pernambuco. Além da celebração em homenagem ao vaqueiro Raimundo Jacó, que é o ponto alto da festa, o público poderá conferir shows gratuitos, vaquejadas, pegas de boi, palestras, feira de artesanato, miniexposição e produção de documentário. A 49ª edição da festa segue até o domingo (28), no Parque Estadual João Câncio, que deve receber cerca de 60 mil visitantes nos três dias.

Missa do Vaqueiro de Serrita, Pernambuco: tradição (Foto: Divulgação)

De início, uma versão menor da exposição Tengo Lengo Tengo, ainda em cartaz no Museu Cais do Sertão, no Recife, estará à disposição dos presentes de forma gratuita. Serão expostas 60 fotos para retratar a história da Missa, o ofício do vaqueiro e as tradições da cultura sertaneja. As imagens ficarão no auditório do Sebrae, parceiro do evento e com estrutura montada no parque. Na capital pernambucana, a exposição segue recebendo uma média de 250 visitantes por dia, além de diversos elogios de sertanejos moradores da capital.

Documentaristas da equipe do diretor Nilton Pereira filmarão com drones a Missa do Vaqueiro de Serrita e seus entornos. A proposta é mostrar ao público a grandeza do evento cultural. O documentário já registrou testemunhos de vaqueiros que estiveram no Recife e agora escuta esses profissionais em seu lugar de origem, o Sertão. O auditório do Sebrae proporcionará ao público palestras gratuitas, com convidados como Antônio Souza, que falará sobre empreendedorismo na zona franca do semiárido nordestino, no sábado (27), a partir das 15h.

Apresentações musicais

Shows da banda Cheiro no Cangote, Henrique Brandão, Flávio Leandro, com participação especial de Daniel Gonzaga, Vitor Fernandes e Paixão di Vaqueiro animam os presentes na festa já na sexta-feira, logo após a vaquejada. No sábado (27), depois da vaquejada e pega de boi, sobem ao palco Paulo Sampaio, Donizete Batista, Adriano Estigado, Kinho Callou, Nanara Belo e Forró Santa Dose, Chambinho do Acordeon e Petrúcio Amorim.

Para o domingo, dia da Missa do Vaqueiro, foram convocados os artistas Josildo Sá, responsável pela parte musical da celebração religiosa, Flávio Leandro, Sarah Lopes, Pedro Bandeira, Chico Justino e Cícero Mendes, Ronaldo Aboiador, Fernando Aboiador e participação especial de Daniel Gonzaga.

História da Missa

Realizada anualmente sempre no quarto domingo do mês de julho, a Missa do Vaqueiro tem em suas origens uma história que foi consagrada na voz de Luiz Gonzaga: a de Raimundo Jacó, um vaqueiro habilidoso na arte de aboiar. Reza a lenda que seu canto atraía o gado, mas atraía também a inveja de seus colegas de profissão, fato que culminou em sua morte numa emboscada. O fiel companheiro do vaqueiro na aboiada, um cachorro, velou o corpo do dono dia e noite, até morrer de fome e sede.

A história de coragem se transformou num mito do Sertão e três anos após o trágico fim, sua vida foi imortalizada pelo canto de Luiz Gonzaga. O Rei do Baião, que era primo de Jacó, transformou “A Morte do Vaqueiro” numa das mais conhecidas e emocionantes canções brasileiras. Mas Gonzaga queria mais. Dessa forma, ele se juntou a João Câncio dos Santos – padre que ao ver a pobreza e as injustiças cometidas contra os sertanejos passou a pregar a palavra de Deus vestido de gibão – para fazer do caso de Jacó o mote para o ofício do vaqueiro e para a celebração da coragem.

Assim, em 1970, o Sítio Lajes, em Serrita, onde o corpo de Jacó foi encontrado, recebe a primeira Missa do Vaqueiro. De acordo com a tradição, o início da celebração é dado com uma procissão de mil vaqueiros a cavalo, que levam, em honras a Raimundo Jacó, oferendas – como chapéu de couro, chicotes e berrantes – ao altar de pedra rústica em formato de ferradura. A missa, uma verdadeira romaria de renovação da fé, acontece sempre ao ar livre e se assemelha bastante aos rituais católicos, porém contando com toques especiais que caracterizam o evento: no lugar da hóstia, os vaqueiros comungam com farinha de mandioca, rapadura e queijo, todos montados a cavalo. (Informações da Folha de Pernambuco).

Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais Lidas