Cultura

Alcymar Monteiro completa 35 anos de carreira e luta pelo ‘forró raiz’

Alcymar Monteiro é um dos nomes mais consolidados do forró. Em 2019, ele chega aos 35 anos de carreira musical. Nas costas, o peso da luta para manter o gênero nordestino longe da cadência do eletrônico e da pegada sertaneja. Ao mesmo tempo, o cearense de Aurora — distante 470 km de Fortaleza — trabalha o álbum “Sanfonia”.

Alcymar Monteiro chegou a trabalhar com Luiz Gonzaga (Foto: JL Rosa)

Neto de violeiro e sobrinho de sanfoneiro, Alcymar começou a cantar aos cinco anos. Estudou na adolescência em Fortaleza. Já adulto, foi viver em São Paulo. Chegou a morar na rua e tocar em bares noturnos para sobreviver. Em shows e entrevistas, as roupas brancas são a marca dele — conselho de Luiz Gonzaga. “Sua voz é seu brasão, você precisa criar um tipo representativo, porque a velocidade da informação é muito rápida. E quem não tiver um tipo definido, passará despercebido”, declarou o Rei do Baião ao cearense.

Assista:

Em “Sanfonia”, Alcymar traz interpretações de músicas de Belchior, Fagner, Oswaldo Montenegro e Raul Seixas. “Quando você chega a um certo ponto da carreira, percebe que não é mais dono de você. A sua carreira pertence ao povo. O seu legado é o que se deixa gravado. O artista não morre, permanece na sua obra. Quando se faz algo duradouro e representativo, ele te acompanha mesmo após a morte física”. Nos últimos anos, com o avanço da música sertaneja no Nordeste, Alcymar Monteiro ficou conhecido por “peitar” prefeituras e governos estaduais. “O poder econômico quer esmagar o poder cultural e artístico. Música boa só existe uma”, define o cearense.

Alcymar também avalia que a música precisa de batalhas para crescer. “O mercado musical tem que ser conflituoso. Você não vive de mesmice. O sol nasce para todos, mas tem uns que não sabem se colocar para receber sua luz. É precisa fazer uma música que te identifica, valoriza o teu povo e a tua gente. Eu não posso simplesmente bater palma para uma coisa que não diz nada, seria burrice. Vejo gente que canta bem, mas que não tem oportunidade de mostrar seu trabalho”.
Nos últimos meses, a agenda do cearense foi marcada por apresentações internacionais. Bahamas, Panamá e até Miami estiveram no roteiro.

Destaque

Em agosto, Alcymar Monteiro teve a grata surpresa de ser agraciado com o Troféu Gonzagão — um dos principais eventos de forró do Brasil. Entre os homenageados estiveram Jackson do Pandeiro, que completaria 100 anos em 2019, e Raimundo Fagner.

Há 32 anos morando em Recife, o cantor considera Pernambuco como sua casa. “É uma grande panela de cultura, grande caldeirão. Frevo, maracatu, ciranda e caboclinho”. Aos mais novos cantores de forró, o cearense indica persistência e paciência para crescer. (Fonte: Diário do Nordeste.

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