Política

Olavo de Carvalho ataca Bolsonaro e ameaça derrubar “esse governo de merda”; veja vídeo

O escritor Olavo de Carvalho, considerado ‘guru do bolsonarismo’, fez uma série de postagens das redes sociais na madrugada deste domingo, dia 7, com críticas ao presidente Jair Bolsonaro, de quem é aliado.

Olavo de Carvalho, guru do Bolsonaro, fez fortes críticas ao presidente (Foto: Carta Capital)

Apontado como uma voz de forte influência na ala ideológica do governo, Olavo de Carvalho declarou que Bolsonaro nunca foi seu amigo por não defendê-lo contra o que chamou de “gabinete do ódio contra o Olavo”, que, segundo ele, existe há décadas. O escritor ainda disse que Bolsonaro não age contra crimes e que derrubaria esse “governo de merda” se o presidente continuasse “inativo” e “covarde”.

AMIZADE – “Milícia, gabinete do ódio, existe há muito tempo, foi inventado contra mim. Não contra  o Bolsonaro. E o que ele fez pra me defender? Bosta nenhuma. Chega lá e me dá uma condecoraçãozinha. Enfia a condecoração no c**. Se você não é capaz de me defender contra essa gente toda eu não quero a sua amizade. Porque eu fui seu amigo, mas você nunca foi meu amigo. Você foi tão meu amigo quanto a peppa. Você só tira proveito e devolve o quê?”, disse em trecho do vídeo. Em seguida, escreveu: “Os militares obedecem você ou é você que obedece a eles?”

Nas publicações, Olavo ainda reclama que Bolsonaro não coloca seus assessores para defendê-lo de processos e multas que estaria respondendo na Justiça, sem dar detalhes sobre os casos. E provoca sobre a relação dele com os militares que o apoiam.

 “Presidente, se você não tem apoio suficiente dos generais para desarmar o inimigo comunista, pare de insuflar no povo falsas esperanças baseadas numa visão ilusória da grandeza militar. Diga logo a verdade: só contem com as Forças Armadas para servicinhos menores. Para o grande combate, nunca”, diz uma das mensagens.

“FRACO” – O escritor também sugere que Bolsonaro é ‘fraco’. “Que é que o Bolsonaro, na presidência, fez contra o avanço do comunismo? Nada. Nem tocou muito no assunto. Virou “pragmático”, e quanto mais pragmático virou, mais foi acusado de fascista e ditador. A fraqueza atrai a agressividade”.

Mas depois afirma que ainda há tempo para o presidente parar de seguir maus conselhos e corrigir o rumo da sua política. “Primeiro ponto: Um governante não faz nem aceita polêmica. Fala pouco e age muito. Por exemplo, a porra da Globo já deveria estar fechada. Sem uma só palavra ofensiva”, aconselha.

Apesar das críticas, Olavo de Carvalho diz em seguida que segue ao lado do presidente. “Ainda estou do lado do Bolsonaro. Lutarei por ele com todas as minhas armas. Mas ele que não espere mais de mim palavras doces que só podem ajudá-lo a errar.”

AMEAÇA – Olavo de Carvalho ainda mandou o seguinte recado para Bolsonaro: “Outra coisa, você não está agindo contra os bandidos, você vê o crime, eles cometem os crimes, você presencia em flagrante e não faz nada contra eles. Isso chama-se prevaricação. Quer levar um processo de prevaricação da minha parte? Esse pessoal não consegue derrubar o seu governo? Eu derrubo. Continue inativo, continue covarde, eu derrubo essa merda desse seu governo”, diz em vídeo.

O assunto já está entre os mais comentados do Twitter. As falas de Olavo ocorrem em meio ao avanço do inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal. A Corte vai julgar nesta quarta-feira uma ação em que a Rede Sustentabilidade pede o arquivamento do caso por irregularidades na tramitação. 

SINALIZAÇÕES – Após uma série de embates, o governo fez sinalizações ao Supremo em uma tentativa de distensionar a relação. Na mais recente, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, atravessou a praça dos Três Poderes na quinta-feira para se reunir com a ministra Rosa Weber.

A aproximação do governo com partidos do chamado centrão através da entrega de cargos em postos-chaves do Executivo também tem gerado um desgaste na gestão do presidente. Desde julho do ano passado, parlamentares já pediram a nomeação para mais de 700 cargos federais — em 325 deles, ou 45% dos casos, o pleito foi atendido. (Adriana Ferraz / Estadão).

To Top
%d blogueiros gostam disto: