Política

Rio e São Paulo têm maiores atos antirracismo e contra Bolsonaro

As cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo concentram as maiores manifestações antirracismo e contra o governo do presidente Jair Bolsonaro registradas na tarde deste domingo. Na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, um protesto contra o racismo toma uma pista lateral da via.

No Rio, manifestação atirracismo critica violência policial Foto: Bruno Marinho

Organizado por coletivos e movimentos de comunidades do Rio, a manifestação gritou palavras de ordem contra a morte de pessoas negras no país em ações policiais. Em São Paulo, os manifestantes se concentraram no Largo da Batata, na região Oeste da capital paulista. O ato foi convocado por organizações de esquerda, como a Frente Povo Sem Medo, lideranças de torcidas organizadas e coletivos do movimento negro.

No ato do Rio, a polícia militar e o presidente Jair Bolsonaro foram os principais alvos dos manifestantes, que lembraram também a morte da vereadora Marielle Franco, em março de 2018. O assassinato do adolescente João Pedro, em São Gonçalo, durante operação policial na comunidade do Salgueiro, também foi muito reclamada pelos protestantes.

Ato antirracismo na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio Foto: Bruno Marinho

A concentração do protesto começou na altura do monumento à Zumbi dos Palmares, um dos maiores ícones do movimento negro no país, por volta das 14h. Cercada por um forte contingente de segurança, ela caminhou até a Igreja da Candelária sem incidentes. A polícia militar, formada por homens do Batalhão de Choque e do Batalhão Especial de Policiamento em Estádios, restringiu o grupo à faixa lateral da avenida e revistou manifestantes. Há relatos de pessoas que foram detidas ao chegarem ao protesto. Em São Paulo, cartazes, bandeiras e cantos entoados na grande praça no bairro de Pinheiros tratavam de pautas diversas. Sobressaíram-se as críticas ao descaso do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus, a medidas consideradas autoritárias pelo presidente Jair Bolsonaro e a mortes de pessoas negras causadas pela polícia.

O protesto encheu o largo e frustrou a tentativa dos organizadores de manter o distanciamento de pelo menos um metro entre os manifestantes, para evitar a infecção pelo novo coronavírus. Ainda assim, os organizadores promoveram uma brigada de saúde, com dezenas de voluntários, que percorreram o local distribuindo álcool em gel e cartilhas ensinando a “lutar contra o fascismo em tempos de Covid”, com orientações de higiene.

Manifestantes antirracismo e contra governo Bolsonaro ocupam o Largo da Batata, em São Paulo Foto: Edilson Dantas

Lideranças do movimento negro e de grupos de esquerda marcaram presença. O ex-presidenciável Guilherme Boulos discursou de cima do carro de som do grupo Democracia Corinthiana.

“Vocês acompanharam a polêmica da última semana, se era para vir ou não ao ato por causa da pandemia. Mas a divisão não é entre quem veio e quem não veio. A divisão é quem está do lado da democracia e quem está com o fascismo”, discursou Boulos.

Atos simultâneos em Brasília

Mais cedo, manifestantes ocuparam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em dois atos simultâneos. Um grupo se posicionava a favor da democracia e contra o governo Bolsonaro, além de defenderem o Sistema Único de Saúde (SUS) e criticarem a morte de pessoas negras. O outro movimento tinha como objetivo defender o presidente. O mesmo aconteceu no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Manifestantes ocuparam a Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Grupo se posiciona a favor da democracia e contra o governo Jair Bolsonaro. Foto: Jorge William / Agência O Globo

A concentração começou às 9h em frente à Biblioteca Nacional, a poucos quilômetros do Palácio do Planalto. Em meio à pandemia do coronavírus, os grupos usaram máscaras, porém, a despeito das recomendações das autoridades sanitárias, foram registradas aglomerações. Além de cartazes criticando Bolsonaro, os manifestantes gritavam pela sua saída da Presidência da República. Uma faixa defendia: “Todos pela democracia”. Os manifestantes também cantavam músicas como “ai, ai, ai, empurra o Bozo que ele cai”.

Um grupo de enfermeiros carregou cruzes em homenagem aos colegas que morreram no combate à Covid-19. Eles também pediam mais investimento no SUS. A exemplo dos protestos ocorridos na semana passada no Rio de Janeiro e em São Paulo, torcidas organizadas de times de futebol participaram do ato.

Neste domingo, em menor número, os defensores do presidente também fizeram ato na Esplanada. Eles rezaram pelo país e sustentavam uma bandeira de Israel. Em um carro de som, os apoiadores do presidente gritavam “Bolsonaro 2022”.

Em Brasília, os dois grupos foram separados pela Polícia Militar. Um largo canteiro central também os dividiu. O acesso à Praça dos Três Poderes ficou fechado. Os organizadores dos dois movimentos pediam que os manifestantes não entrassem em brigas.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, esteve na Esplanada. Pelo Twitter, ele disse que não participou dos movimentos. “Fui à Esplanada dos Ministérios agradecer aos integrantes das Forças de Segurança, pelo trabalho abnegado e competente que realizam, em prol de manifestações pacíficas. É atitude de camaradagem, comum entre nós, militares”, escreveu.

Depois da dispersão dos protestos, apoiadores de Bolsonaro foram à Praça dos Três Poderes. O acesso ao local foi liberado pela Polícia Militar do DF. Lá, manifestantes carregavam faixas contra o STF e o Congresso. Mensagens como “intervenção militar com Bolsonaro no poder presidente”; “fim dos comunistas no poder e no STF”; e “a favor dos 3 poderes: Exército, Marinha e Aeronáutica” foram exibidas. Em um palanque, bolsonaristas discursaram contra a investigação sobre Fake News. Segundo um deles, “a ditadura já foi instaurada”. Outra manifestante saudou a presença de “lutadores de MMA” que participaram do ato para “proteger” aliados de Bolsonaro. (Fonte: O Globo).

To Top
%d blogueiros gostam disto: