Política

Brasil: 75% são a favor da democracia; 10% querem a ditadura

Pesquisa do Datafolha, objeto de reportagem de Igor Gielow, edição de hoje da Folha de São Paulo, revela que 75% do eleitorado brasileiro querem viver em um país que tenha a Democracia, contra apenas 10% que aceitam a ditadura e, mesmo assim, em caráter excepcional. Importante o resultado no momento em que grupos radicais defendem o fechamento do Supremo e do Congresso e a volta do sistema militar ao poder, tendo à frente Jair Bolsonaro.

Radicais defendem a ditadura, mas certamente nem sabem o que ela significa

Reparem que me referi ao eleitorado e não à população em geral. Isso porque dificilmente os menores de 16 anos poderiam ter uma opinião a respeito do tema.

APARENTES CONTRADIÇÕES – O levantamento do Datafolha estende-se a outros pontos políticos nos quais assinala aparentes contradições. Porém isso não importa, porque as contradições acontecem mas não influem no sentimento generalizado em favor do regime democrático.

Cito alguns exemplos. 82% não sabem o que foi o ato institucional nº 5; 58% desconhecem o assassinato de Wladimir Herzog; mas 62% já ouviram falar na Lei de Anistia. Apenas 39% conhecem o caso do atentado no RioCentro; 76% afirmam que houve ditadura em nosso país durante o regime militar.

A história é negra: homens como Brizola foram exilados por causa de ditadura

Muito bem. Enquanto 75% preferem a democracia 59% manifestaram-se contra o direito de greve e 51% são contrários aos partidos políticos. 49% querem a prisão dos suspeitos de crimes de corrupção, mesmo sem autorização judicial. Finalmente 56% são contrários ao fechamento do STF.

EXISTE DESINFORMAÇÃO – Portanto, o problema da desinformação está presente em parcela dos eleitores e eleitoras. O que fazer? Resposta: nada. Esta é a realidade brasileira e comprova o caráter fundamentalíssimo da educação. Porque somente a educação pode assegurar uma base sólida para o conhecimento da realidade que envolve a todos nós.

Entretanto, a pesquisa não se refere ao que deveria ser, e sim a situação concreta que existe hoje. Como no velho ditado, não se combate a febre quebrando o termômetro. (Pedro do Coutto / Tribuna da Internet).

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