Política

Alckmin é indiciado pela PF sob suspeita de lavagem de dinheiro, caixa 2 e corrupção

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) foi indiciado pela Polícia Federal nesta quinta-feira, dia 16, sob suspeita da prática dos crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, o indiciamento faz parte da segunda fase da chamada “Lava Jato Eleitoral” de São Paulo. Também foi indiciado o ex-tesoureiro do PSDB Marcos Monteiro e o ex-assessor de Alckmin Sebastião Eduardo Alves de Castro.

Indiciamento teve como base a delação de ex-executivos da Odebrecht

O indiciamento teve como base a delação de ex-executivos da Odebrecht, além de análises periciais no sistema de informática da empreiteira, de extratos telefônicos, de conversas pelo aplicativo Skype, de documentos, de ligações telefônicas e também por meio de outras delações.

DENÚNCIA – Agora, caberá aos promotores do Ministério Público de São Paulo responsáveis por ações eleitorais decidirem se irão apresentar denúncia contra o ex-governador, pedir novas diligências ou pedir arquivamento do caso.

Em abril de 2018, a ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Nancy Andrighi enviou um inquérito da Lava Jato sobre Alckmin para a Justiça Eleitoral de São Paulo.A investigação foi aberta no STJ em novembro de 2017 a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) com base em delações de executivos da Odebrecht, que disseram ter acertado com Alckmin e repassado à sua campanha valores superiores a R$ 10 milhões por meio de caixa dois em 2010 e 2014.

O tucano era investigado perante o STJ porque, como governador, tinha foro especial nessa Corte. Ao renunciar para concorrer à Presidência em 2018, ele perdeu o foro especial. Questionado sobre o indiciamento em entrevista à CNN Brasil, Alckmin disse que não foi ouvido, mas irá prestar contas.

“DENTRO DA LEI” – “Quem está na vida pública tem por dever prestar contas cotidianamente”, afirmou Alckmin. “As minhas campanhas tanto de 2010, de 2014 e agora, em 2018, foram rigorosamente dentro da lei.” Alckmin disse que tem 40 anos de vida pública e que seu patrimônio não aumentou. Por redes sociais, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, disse que o político tem “toda a confiança do PSDB”.

“Governador quatro vezes de São Paulo, quase cinco décadas de vida pública, médico, Geraldo Alckmin sempre levou uma vida modesta e de dedicação ao serviço público. É uma referência de correção e retidão na vida pública”, publicou. Já o presidente do diretório paulista do PSDB, Marco Vinholi, disse em nota que “tem absoluta confiança na idoneidade do ex-governador Geraldo Alckmin”. “A história do governador Geraldo Alckmin não deixa dúvidas sobre a sua postura de retidão, coerência e compromisso com o rigor da lei.”

SERRA – No início de julho, o Ministério Público Federal denunciou o senador José Serra (PSDB), 78. Também ex-governador paulista pelo mesmo partido de Alckmin, Serra é acusado de lavagem de dinheiro transnacional. A filha do tucano, Verônica, também foi denunciada pela equipe da Lava Jato de São Paulo.

No dia, oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo e no Rio de Janeiro para dar andamento às investigações. Alguns dos imóveis alvos da operação têm ligação com o senador, inclusive a sua residência. A operação foi batizada de Revoada.

Segundo o Ministério Público Federal, foram cometidos crimes até 2014. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal decidiu que crimes atribuídos a Serra cometidos até 2010 estavam prescritos. (José Marques / Folha).

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