Política

Falta pouco para Bolsonaro ser incriminado e o impeachment é questão de tempo, diz jornal

Devido aos procedimentos incompatíveis com o decoro da função de presidente da República (tipo: “Eu sou a Constituição!”), o presidente Jair Bolsonaro coleciona número recorde de pedidos de impeachment.

Para se livrar do Impeachment Bolsonaro se apega ao Centrão (Reuters/Adriano Machado)

Até o final de maio, 641 pessoas e organizações já haviam assinado solicitações de abertura de processo para impeachment. Entre os 45 pedidos apresentados, apenas um já foi arquivado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

De lá para cá, esse total aumentou bastante, mas ainda não foi divulgado. Ao que parece, o céu é o limite, e só está faltando o Jota Silvestre.

CRISE PERMANENTE – O fato concreto é que, em meio à pandemia, o país enfrenta uma situação de crise permanente. À exceção dos fanáticos, já existe consenso de que Bolsonaro não serve para governar, até o Alto Comando do Exército já se conscientizou disso e teme que o fracasso do capitão prejudique a imagem das Forças Armadas, o que é inevitável e já está acontecendo.

Se não estivéssemos tão atacados pela covid-19, a situação política já estaria muito pior, devido ao fracasso do ministro da Economia, Paulo Guedes, que já mostrou não merecer a carta-branca recebida do presidente da República.

É visível que Guedes está inteiramente atordoado, não existe nem nunca existiu um plano de governo, só agora o chefe da Casa Civil, Braga Netto, tenta improvisar alguma coisa, mas o Ministério é de um despreparo constrangedor.

INCRIMINAÇÕES – Com um ano e meio de governo, Bolsonaro se tornou uma sombra do passado, que não tem a menor projeção para o futuro. Além das dezenas de pedidos de impeachment e das duas solicitações de CPIs, Bolsonaro está sendo diretamente investigado em dois inquéritos no Supremo.

Apesar da mudança brusca de postura, presidente é um poço de crise (Foto: Filha/UOL)

Um deles foi aberto pelo próprio presidente, na tentativa de incriminar o ex-ministro Sérgio Moro, um cidadão exemplar, que merecidamente se tornou o brasileiro mais respeitado no cenário internacional. Mas o trabalho da Polícia Federal rapidamente inocentou Moro e passou a investigar Bolsonaro, por suspeita de sete crimes, além da falsa denunciação caluniosa.

No outro inquérito do Supremo, que apura “fake news” e uso de robôs nas redes sociais, o relator Alexandre de Moraes acaba de arrebentar com Bolsonaro, ao determinar que as provas obtidas pelo Facebook sejam anexadas à investigação. É um golpe mortal, em termos jurídicos e políticos, porque atinge diretamente o Planalto, através do assessor presidencial Tercio Arnaud.

P.S.A incriminação de Bolsonaro, junto com os três filhos e um monte de assessores, torna-se um fato pré-consumado, uma tragédia anunciada, sem possibilidade de reversão. Bolsonaro pode até achar que ainda é o presidente, mas ele já tem um encontro marcado com o impeachment. Como dizem os árabes, “maktub” (ou “assim estava escrito”).  Por Carlos Newton/ Tribuna da Internet.

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