Política

Duelo entre presidente Bolsonaro e o vice Mourão é uma briga de extermínio, e só um restará

O quadro político-militar vai ficando cada vez claro, demonstrando que a mudança de postura e o surpreendente silêncio de Bolsonaro não se devem à covid-19, mas a algum fato muito mais grave. 

Bolsonaro e Mourão: ciúme com postura de Mourão perturba o presidente

Ordem de cima – Como ele jamais aceitou os conselhos da chamada ala militar do Planalto (generais Augusto Heleno, Braga Netto, Eduardo Ramos e Rêgo Barros), o presidente só pode ter recebido uma ordem do Alto-Comando para se contrair, esquecer o golpe militar e ficar em segundo plano. Não há outra explicação.

Agora, aguarda-se que  o verdadeiro Bolsonaro volte à cena, pois dificilmente ele conseguirá manter o perfil paz & amor que lhe tem sido imposto.  Infelizmente, o chefe do governo não tem discernimento e, mesmo tendo contraído a coronavírus, segue costeando o alambrado, como dizia Leonel Brizola, preparando-se para encontrar um jeito de escapar das amarras e seguir com as asneiras de sempre.

Mourão em alta – Enquanto o presidente entra na muda, atendendo a insistentes pedidos, como se dizia antigamente, o vice emerge com toda força, sempre com declarações claras e objetivas e que atendem o interesse nacional.

Assediado diariamente pelos jornalistas, o general Hamilton Mourão fala com franqueza e trafega em outra frequência em relação aos grandes problemas nacionais. Nas duas últimas semanas, em eventos importantes, o vice-presidente encostou para o lado o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, como se fosse uma barata morta, e deu declarações importantes sobre a Amazônia e o combate à covid-19, anunciando que o general Pazuello deve se afastar da Saúde em agosto, conforme já ficou combinado com o Alto Comando.

A desenvoltura e o desempenho de Mourão estão levando Bolsonaro à loucura e nesta quinta-feira, ao transmitir a sua live no final da tarde, o presidente fez questão de tentar desmentir e desautorizar seu vice, sem mencioná-lo, é claro.

Recaída emocional – Para os chefes militares foi uma surpresa a recaída emocional de Bolsonaro. Segundo o jornalista Gerson Camarotti, do G1, integrantes da ativa e da reserva do Exército demonstraram preocupação com a indicação de que o general Eduardo Pazuello deve seguir no comando do Ministério da Saúde.

Na transmissão ao vivo pela internet, Bolsonaro garantiu não somente a permanência de Pazuello, como também a do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles:

“Salles fica. Pazuello fica. Sem problema nenhum. São dois excepcionais ministros”, disse o presidente, acrescentando que o general intendente é “a pessoa certa no lugar certo”.

Novos capítulos – Em tradução simultânea, a novela esquentou e novos capítulos virão por aí. Bolsonaro e o gabinete do ódio estão doidos para reagir e colocar Mourão em seu devido lugar (na opinião deles), mas o general está fora de alcance, protegido pelas casamatas do Alto Comando

O duelo entre Bolsonaro e Mourão é uma briga de extermínio. Mourão está se cacifando, escreve artigos na Folha e no Estadão, jornais odiados por Bolsonaro, garante que as Forças Armadas não aceitam ruptura institucional e segue em frente, consciente de que a conjuntura dos astros lhe é favorável. Podem perguntar ao Olavo de Carvalho, que era astrólogo, mas desistiu, depois de aderir à teoria terraplanista. (No final da disputa pelo poder, cada um irá para o seu lado /Carlos Newton).

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