Política

Tensão máxima entre as cúpulas do PT e PSB; socialistas ‘provam’ do golpe que Ciro sofreu em 2018

A repercussão da pré-candidatura da deputada federal Marília Arraes (PT) à Prefeitura do Recife nas eleições deste ano ganhou mais um capítulo, ontem. Por meio das redes sociais, a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann respondeu de forma contundente à declaração do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, que chamou o PT de “vetor de divisão na esquerda”, em declaração veiculada no jornal Estado de São Paulo.

Carlos Siqueira (PSB) a Gleisi Hoffmann (PT): “O PT é o vetor de divisão na esquerda”

No entanto, o dirigente socialista disse à Folha de Pernambuco que a sua declaração não tinha relação específica com a disputa na Capital pernambucana. Gleisi afirmou que para o PSB “a esquerda só pode se unir se apoiar o candidato deles à Prefeitura do Recife”, em referência às tentativas do PSB, ao longo desse ano, de viabilizar aliança com o PT em torno da candidatura do deputado federal João Campos (PSB) ao Executivo Municipal.

Entretanto, o diretório nacional do PT firmou posição em torno da candidatura própria, mesmo com resistência dos diretórios estadual e municipal petistas, aliados do PSB no Governo de Pernambuco e na gestão do atual prefeito Geraldo Júlio (PSB). “Foi pensando no Brasil que o PT abriu mão de lançar Marília Arraes e apoiou o PSB ao Governo de Pernambuco em 2018”, relembrou Gleisi, com o intuito de refutar a declaração de Siqueira.

O presidente socialista foi direto ao sinalizar que o PSB não estará ao lado do PT em nenhum palanque nas eleições municipais deste ano, um cenário similar ao que ocorreu nas eleições de 2014, quando o ex-governador Eduardo Campos, que veio a falecer, tentava a Presidência da República e se descolou do PT e do governo Dilma Rousseff.

“Entre o PT e o Brasil, o PT sempre ficou consigo mesmo, é o vetor da divisão na esquerda. Não estaremos com ele em lugar nenhum nestas eleições”, garantiu Siqueira na fala ao Estado de São Paulo. O socialista, contudo, indicou que a sua declaração não se referia ao Recife, especificamente, mas à “atitude exclusivista do PT no plano nacional ao resolver lançar candidaturas próprias nas grandes cidades”, quando, no seu entendimento, “a atitude correta para este momento de ameaça à democracia seria uma resposta político-eleitoral das forças progressistas unidas nas principais cidades do nosso país”.

Vale lembrar que, como adiantou a colunista de Política da Folha de Pernambuco, o governador Paulo Câmara, que é vice-presidente nacional da legenda, e João Campos, que é vice-presidente de Relações federativas da legenda, se reuniram com Siqueira na quarta-feira, em Brasília. O encontro foi o primeiro após o PT “bater o martelo” pela majoritária.

Comentário do site: O golpe em Ciro

Na eleição presidencial de 2018, justamente se alinhando ao PSB, o PT deu um duro golpe na candidatura do pedetista Ciro Gomes. A articulação partiu do ex-presidente Lula, que estava preso em Curitiba, mas deu as ordens para o partido cumpri-las país afora. Em Pernambuco, o PT retirou a candidatura de Marilia Arraes ao governo do Estado para apoiar Paulo Câmara, do PSB; em Minas, o PSB teve que retirar a candidatura de Marcio Lacerda para apoiar o PT; Em São Paulo o PT fechou com Marcio França, do PSB.

Ciro Gomes, candidato a presidente em 2018, foi ‘golpeado’ pelo PT, que favoreceu Bolsonaro

A contrapartida desse pacote de ações políticas foi para impedir que o PSB nacional fechasse aliança com o PDT em torno de Ciro Gomes, que, de acordo com pesquisas, era o único candidato que venceria Bolsonaro no segundo turno. Deu no que deu.

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