Policial mata juiz de Camamu em uma briga de trânsito da violenta Salvador
Na noite deste sábado (10), um policial militar se envolveu em uma briga de trânsito com o Juiz de Direito da Comarca de Camamu, Carlos Alessandro Pitágoras Ribeiro, em Salvador, que culminou com a morte do juiz.
Segundo a PM, o policial estava fardado a bordo de um veículo Kia Sephia quando o juiz Carlos Alessandro Pitágoras Ribeiro, em um Honda Civic, gesticulou e gritou para ele. O policial parou o carro, e o juiz saiu com uma pistola 9 mm em punho.
Ainda de acordo com a declaração do policial, o PM pediu para que o juiz parasse. Como seu pedido não foi atendido, o policial efetuou dois disparos - um deles atingiu Carlos Alessandro. A PM e o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram acionados e constataram a morte do juiz.
O policial foi encaminhado para a Corregedoria Geral da PM e libertado. O fato será apurado pela Polícia Militar da Bahia.
Velório e supultamento
O corpo do juiz Carlos Alessandro Pitágoras Ribeiro, 38 anos, substituto da Comarca de Camamu, foi enterrado por volta das 17h40 deste domingo ( 11) no cemitério Jardim da Saudade, em Salvador.
Familiares, amigos e colegas de trabalho deram o último adeus ao magistrado e reafirmaram que, além de ser uma pessoa calma e tranquila, não acreditam na versão contada pelo policial.
O oficial de justiça Jorean Muniz também contesta a versão e afirmou que a mesma foi planejada. “O que está sendo contado é mentira. Ele não sairia com arma na mão. Essa foi uma versão criada. Esta atitude não faz parte da índole dele”.
Versões
As duas versões para a morte do juiz Carlos Alessandro Pitágoras Ribeiro, de 38 anos, lançam argumentos contraditórios, e explicam pouco os fatos que levaram o policial Daniel Soares a disparar dois tiros contra o magistrado. Para os parentes da vítima, a história apresentada pela Polícia Militar é cheia de fantasias, mentiras e corporativismo. O magistrado foi assassinado na noite de sábado, perto do Centro Empresarial Iguatemi.
Segundo a família, o juiz abordou o policial militar depois de ter presenciado o Kia Sephia do soldado Daniel Soares fazendo manobras perigosas na região em frente ao Centro Empresarial Iguatemi. A nota oficial, divulgada ontem pela Polícia Militar, afirma que Daniel estava fardado, indo de carro ao trabalho, na 35ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), localizada atrás do shopping Iguatemi. No retorno em frente ao Centro Empresarial Iguatemi, ele teria ouvido alguém gritando e parou.
A polícia também apura a hipótese de o juiz ter fechado o carro do policial. O magistrado, nesse momento, segundo a nota da PM, teria saltado do carro e vindo em direção ao policial com uma pistola em punho. O soldado teria, então, pedido que ele parasse. Mas, como não foi obedecido, disparou duas vezes, atingindo o juiz na clavícula esquerda e no abdômen.
O soldado Daniel Soares negou que tivesse ocorrido uma briga de trânsito entre ele e o juiz Alessandro Ribeiro, segundo um colega de corporação que conversou com ele após o crime, ainda na noite do sábado. Daniel também teria dito não conhecer o juiz. Segundo o policial, que esteve com o soldado após o crime, o juiz deixou a porta do carro aberta com o som em alto volume. Nenhuma explicação sobre a motivação da atitude do juiz foi apresentada.
Família
A família do juiz nega que ele estivesse alcoolizado e acusa o policial de ter disparado o segundo tiro quando o magistrado já estava caído. “O Pitágoras viu que ele dirigia perigosamente, fechando outros carros. Teve a oportunidade e o abordou. Nessa conversa, o policial deu voz de prisão para Carlos, que, sem dizer que era juiz de direito, explicou ao PM que ele não tinha poder para isso”, conta uma prima da vítima, Denise Pitágoras.
“O policial respondeu a meu primo dizendo que não tinha poder para prendê-lo, mas que poderia matá-lo. Isso é surreal. Estamos chocados. A família está muito abalada”, completa. A versão, de acordo com a família, foi confirmada por funcionários do Tribunal de Justiça que seguiram para o local. O policial, de acordo com os parentes de Pitágoras, não estava fardado e teria mudado a versão após descobrir, no bolso da vítima, a carteira de juiz.
As informações são da Polícia Militar, A Tarde e Correio / Crédito da imagem - Correio




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