Política

Artigo – A farsa do cartão vermelho e a metamorfose “Mercadante”

Em mais um artigo, Evandro Matos comenta sobre o escândalo do Senado, a permanência de Sarney e as cenas do cartão vermelho de Suplicy e o “irrevogável” de Mercadante.

O gesto do senador Eduardo Suplicy (PT) levantando um cartão vermelho para o presidente do Senado, José Sarney (PMDB), virou motivo de brincadeira entre os senadores e repercutiu em todo o País. E não era para menos. Suplicy, como os seus colegas petistas, teve todo o tempo para fazer isso na semana passada, mas não o fez. Ao contrário, preferiu silenciar ante os caprichos do Presidente Lula da Silva e do seu próprio partido, que ajudaram a arquivar as denúncias contra o dono do Maranhão.

Após a bancada petista ajudar a permanência de Sarney na presidência do Senado, o senador finge agora que era contra radicalmente. Na verdade, ele fez o jogo duplo, ora contra, ora a favor, mas não teve uma posição firme, como as que construíram a sua história. Em menos de 24 horas, a cena do cartão vermelho virou motivo de piada. E Suplicy teve que ouvir que tudo não passara de um jogo de cena.

E assim se comportaram os petistas durante todo o processo de operação “Salva Sarney”, capitaneada pelo presidente Lula. Diante das câmaras, fingiam e declaravam que eram a favor das apurações; fora delas, entre quatro paredes, articulavam a permanência do peemedebista e o máximo que defendiam era a sua licença do cargo. Dessa forma, o cartão de Suplicy para Sarney foi intempestivo, uma vez que o jogo já havia acabado. Enfim, o fato não deixa de ter sido uma boa jogada de marketing para passar a imagem de que o PT também era a favor das apurações e a saída do Presidente do Senado.

O Brasil inteiro viu o PT se render às chantagens de Sarney e Renan Calheiros – ciceroneados por gente como Fernando Collor, Wellington Salgado, Gim Argello e Almeida Lima – para jogar na lata do lixo a sua própria história, entrando numa crise ética só comparada ao escândalo do mensalão. Crise que levou o partido a perder, numa só semana, os senadores Flávio Arns e Marina Silva, e ver o seu líder (?) Aloísio Mercadante ser desmoralizado diante dos seus próprios conceitos.

Triste Mercadante, que virou Mercandantes, que virou chacota, e que foi merecidamente ironizado. “Nunca na história desse país” um senador da República foi tão covarde. Humilhado pelo presidente Lula, disse que renunciaria à liderança da bancada petista no Senado. Deu um tempo, fingiu, ameaçou, mas tudo para jogar para a galera. Do tipo: me segura senão eu brigo. Não brigava, como não brigou. 

Mas ele próprio sabia que não renunciaria á liderança, e que tudo não passava de uma tentativa de enganar a sociedade, como se sentisse remorso da sua própria história de luta e ética, que estava sendo vencida pela lógica do poder sem limite e da obediência cega.   

Por fim, mais uma biografia quase destruída. E Mercadante virou gato manso, sem ação e sem luz própria, ao dizer que a sua decisão era irrevogável. E o irrevogável virou revogável, a ponto de o Macaco Simão criar uma paródia com uma bela canção de Raul Seixas: Eu prefiro ser / Esta metamorfose Mercadante / Do que ter aquela velha opinião irrevogável sobre tudo… E vida que segue.  

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