Política

Aécio recebe titulo de cidadão baiano, fala de sucessão e cita Juscelino

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), que veio à Bahia nesta quinta-feira (3) receber o titulo de cidadão baiano, conferido pela Assembléia Legislativa, viveu um dia de candidato. No evento, ex-governadores, senadores, deputados, prefeitos, vereadores e lideranças de diversas regiões do país.

Mesmo sem querer assumir a condição de pretendente ao Palácio do Planalto em 2010, Aécio foi provocado a falar sobre o assunto. Cuidadoso com as palavras, ele transferiu para o presidente Lula à indagação se estava em campanha, respondendo a uma pergunta de um jornalista. “Eu sou Aécio, quem faz campanha antecipada é o Lula”, corrigiu.   

Antes mesmo de entrar para as homenagens, Aécio Neves concedeu uma coletiva à imprensa, quando tratou de vários temas. Sobre o Pré-sal, lançado esta semana pelo governo federal, o governador tucano disse que a proposta do governo precisa ser melhorada em alguns aspectos para que haja uma melhor igualdade entre as regiões. “O mais importante é que seja distribuída da melhor forma entre todos os estados, sem precisarmos fazer disso uma disputa política”, avaliou.

Ao responder sobre as homenagens, o governador mineiro fez muitas referências, lembrando da sua ligação com a Bahia, e de episódios sobre a sua infância. “Os baianos e mineiros são muito parecidos. Nós nos chamamos de baianeiros. Temos um sentimento de Brasil muito próximo, mas não falta a coragem para enfrentarmos as dificuldades”, colocou. “O Brasil busca uma nova convergência, precisamos passar por várias reformas, mas que infelizmente foram sucessivamente adiadas”, continuou o tucano.

Ainda falando sobre a sua condição de novo “cidadão baiano”, Aécio continuou as suas avaliações sobre o atual momento político vivido pelo país, e aproveitou para dar uma estocada tanto no PT quanto no PSDB, condenando a disputa política polarizada entre os dois partidos. “O Brasil ganhará, quando o radicalismo político der lugar a uma nova agenda. O desejo de todos os brasileiros é discutir uma nova política pública”, completou.

Respondendo sobre a possibilidade do Palácio do Planalto contratar milhares de servidores em 2010, um ano eleitoral, Aécio disse que não era contra, desde que houvesse metas e qualificação dos funcionários. “Nesse caso, o que acontece é um grave aumento do custeio do Estado (da folha)”, disse. Para comparar com essa situação, ele lembrou o ex-presidente Juscelino Kubitschek, e apresentou dados da sua administração em Minas Gerais como referência.

“Precisamos apresentar ao Brasil novas propostas. A população, hoje, tem dificuldades de estabelecer uma diferença entre os candidatos”, comentou. Ele disse ainda que “o grave problema do Brasil é esta absurda concentração de recursos nas mãos da União. Estamos caminhando para viver num estado unitário”, criticou.

O tucano respondeu também sobre como se apresentará para disputar com o governador José Serra (PSDB-SP) a condição de candidato da aliança oposicionista em 2010. “A nossa preocupação é introduzir alguns temas novos na discussão sobre os problemas do Brasil. Lutamos para que a decisão não seja apenas da cúpula, mas que haja participação das bases. Da mesma forma que buscamos viabilizar o nosso nome, também poderemos apoiar o do governador José Serra, se esse for o desejo de todos”, comentou.

Aécio, contudo, descartou ser vice de Serra, caso o seu nome não seja o escolhido nas prévias do PSDB. “Respeito essa posição, mas ela não ocorrerá. Nós temos um quadro plural, e é natural que busquemos em outros partidos um nome para compor uma chapa”, disse.

Discurso e comparação com ACM

O deputado Leu Lomento Jr. (PMDB) foi quem abriu os discursos no Plenário da Assembleia Legislativa na solenidade de entrega do titulo de cidadão baiano ao governador Aécio Neves. Leur fez um discurso carregado de emoção, lembrando de fatos relacionados à vida do homenageado ao lado do seu pai, o ex-deputado federal Leur Lomanto, no Congresso Nacional, e do seu avô, o ex-governador e senador Lomanto Júnior, no Senado, ao lado de Tancredo Neves, avô de Aécio Neves.   

Os deputados Elmar Nascimento (PR) e Paulo Azi (DEM), que propuseram o título de cidadão baiano ao governador mineiro ao lado de Leur Jr, também mencionaram as qualidades de Aécio e a relação dele e do seu avô com a Bahia. Ao elogiar o trabalho de saneamento feito por Aécio à frente do governo de Minas Gerais, Elmar o comparou ao ex-senador Antônio Carlos Magalhães, não perdendo a oportunidade de alfinetar o PT e, por tabela, o governador Jaques Wagner.

“Diferente do que acontece em muitas administrações, lá o governador faz um trabalho digno de elogios”, disse. Já Paulo Azi falou que “o governador Aécio conseguiu, mesmo com a crise financeira, honrar os compromissos de Minas com os fornecedores, ao contrário do que aconteceu na Bahia”.

Nem o governador Jaques Wagner nem os deputados do PT compareceram à sessão, que esteve repleta de políticos de vários partidos. Entre as autoridades e políticos que compuseram a mesa, estavam dois dos pré-candidatos ao governo da Bahia em 2010, o ex-governador Paulo Souto (DEM) e o ministro Geddel Vieira Lima (PMDB).

Também formaram a mesa os senadores ACM Júnior (DEM), César Borges (PR) e Eduardo Azevedo (PSDB-MG), os deputados federais ACM Neto (DEM), que representou o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), Rodrigo Maia, presidente nacional do DEM, o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB), o ex-governador Waldir Pires, o presidente do PSDB, Antonio Imbassahy, o desembargador Jerônimo Santos, e o deputado Alberto Pinto Coelho, presidente da Câmara dos Deputados de Minas Gerias.

O evento contou ainda com as participações de deputados federais como Colbert Martins (PMDB), Jutahy Magalhães Jr. e João Almeida (PSDB), Mário Negromonte (PP) e José Rocha (PR), os estaduais Rogério Andrade, Gildásio Penedo, José Nunes, Gaban, Clovis Ferraz, Heraldo Rocha e Júnior Magalhães (DEM), Sergio Passos (PSDB), Capitão Tadeu (PSB), Maria Luiza, Virginia Hagge e Luciano Simões (PMDB), Aderbal Caldas (PP), Sandro Regis (PR), além dos prefeitos Tarcizio Pimenta (Feira de Santana), Luiz Amaral (Jequié), do ex-prefeito de Feria de Santana, José Ronaldo de Carvalho, vereadores e dezenas de lideranças de todo o estado.

Por Evandro Matos

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