Política

Rapidinhas – Superexposição exigiria Wagner à frente de Souto

Nestas rapidinhas o jornalista Evandro Matos faz uma rápida análise sobre a sucessão estadual na Bahia e comenta os números da recente pesquisa encomenda pelo PR ao Instituo Sensus.

Estamos a mais de um ano para as eleições, mas a movimentação dos candidatos é muito grande. Talvez seguindo o exemplo do presidente Lula, que não sai do palanque, o governador Jaques Wagner (PT) faz o mesmo na Bahia. Com o pretexto de assinar ordens de serviços e inaugurar obras, Wagner percorre todo o estado, comportamento bem diferente do que adotou nos três primeiros anos de seu governo. Na verdade, ele está em campanha aberta, e, nos palanques armados pelos seus aliados do interior, discursa focando a sua reeleição.

Da mesma forma, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, se comporta como se fosse um candidato já definido em convenção. Os Encontros Regionais do PMDB e as inspeções de obras do seu ministério são as pontes usadas pelo peemedebista para driblar a lei eleitoral. Contudo, nas ultimas duas semanas, o ministro foi denunciado duas vezes pela justiça por fazer campanha antecipada, uma com base nos Encontros Regionais e outra por conta de uma edição do jornal “É o 15”, periódico do PMDB.

Mas cabe aqui ume perguntinha ingênua, inócua e imbecil. O que o ministro Geddel está fazendo diferente do governador Jaques Wagner? O que dizer da participação do conselheiro do TCM, Otto Alencar, que tem freqüentado encontros políticos e participado de reuniões com prefeitos e deputados? Como pode um membro do Tribunal, que julga os próprios prefeitos, participar de encontros reservados com estes mesmos prefeitos? Por que, então, apenas o ministro Geddel Vieira Lima foi acusado de estar fazendo campanha antecipada?

E para fechar a trinca dos principais pré-candidatos ao Palácio de Ondina em 2010, resta Paulo Souto. Empurrado pela pressão dos seus aliados, e levado pela pressa dos seus adversários, o democrata também começou a se movimentar. E assim ganhou as estradas do interior, ora atendendo convites para palestras, ora para eventos relacionados ao próprio partido que comanda, o Democratas. Dessa forma, Souto também se antecipou à campanha oficial, e se insere na luta dos que querem disputar a eleição para o governo do Estado no próximo ano.

Reflexões da pesquisa Sensus

A pesquisa divulgada na semana passada, encomendada pelo PR baiano e feita pelo Instituto Sensus, não apresenta novidades em relação à ultima que circulou sobre a sucessão estadual. Como a anterior, mesmo sem ter acesso à metodologia aplicada e todos os detalhes da pesquisa, o que mais chama a atenção é o empate técnico entre o governador Jaques Wagner e o oposicionista Paulo Souto, dando o primeiro com 37% e o segundo com 36%, vindo mais atrás Geddel com 13% e Cezar Borges com 8%.

Mas há um outro detalhe que precisa ser corrigido e que me chega à última hora sobre o levantamento encomendado pelo PR. A pesquisa trouxe também um outro cenário, que é o que deve acontecer, sem o nome do senador Cezar Borges. Neste caso, o resultado indica Paulo Souto com 40%, Wagner com 36% e Geddel com os mesmos 13%. Óbvio, metade das indicações de Borges migraram para Souto e o restante para indecisos. Então, mesmo que os números sejam considerados como um empate técnico representa uma vantagem para o ex-governador, isso sem contar qual terá sido o viés de cada candidato apresentado na pesquisa.    

Diferente de Souto, Wagner está, a todo instante, na TV, nas rádios, nos jornais e nos blogs, o que lhe dá uma vantagem enorme na exposição de mídia em relação ao seu principal oponente. Neste caso, o petista teria que estar disparado na frente. Mas não está. Pela lógica, quando as exposições ficarem iguais e os discursos contra o governo se acentuarem no período eleitoral, a situação poderá se agravar. Então, Wagner, corre que o tempo é agora.

Quanto aos 13% conferidos ao ministro Geddel Vieira Lima, também não podem ser analisados à luz da diferença entre ele e os outros dois pré-candidatos. Não custa lembrar que ainda estamos a mais de um ano para as eleições, possibilitando a tese de que Geddel não tem o mesmo conhecimento dos outros dois pré-candidatos e ainda disporia de campo para crescer.

Enfim, a sucessão já está nas ruas.

Por Evandro Matos

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