Economia

Lula vai desengavetar o projeto que taxa a poupança

O governo decidiu desengavetar o projeto que taxa as aplicações acima de R$ 50 mil na caderneta de poupança. Anunciada em maio, a proposta foi arquivada por razões políticas.

Agora, volta à mesa por conta do calendário. A ideia do governo é iniciar a cobrança de Imposto de Renda sobre a poupança em janeiro de 2010.

Reza a lei que novos impostos ou a elevação de alíquotas de velhos tributos tem de ser aprovados no ano anterior ao do início da coleta. Ou seja, para que possa taxar a poupança no ano que vem, Lula terá de arrancar a aprovação da proposta do Congresso até o final de 2009.

A três meses e meio do final do ano, o presidente e seus auxiliares concluíram que já não dá mais para retardar o envio do projeto ao Legislativo. A data será definida nesta semana, numa reunião do ministro Guido Mantega (Fazenda) com o presidente.

Há, de resto, uma razão monetária. O governo dizia que a taxação da poupança seria necessária a partir do momento em que a taxa básica de juros (Selic) caísse abaixo dos 10,25%. Hoje, os juros estão fixados em 8,75% ao ano. Uma cifra que produz um desequilíbrio que o governo deseja evitar.

A poupança, como se sabe, rende 6,17% ao ano. Juros definidos em lei. Com a Selic abaixo de 10%, as outras aplicações passam a render menos do que a caderneta.

A diferença de taxas de rendimento estimula a migração de dinheiro dos fundos de investimento para a poupança. Um problema para o governo, já que o dinheiro dos fundos compra títulos da dívida pública. O governo receia amargar dificuldades para vender o seu papelório.

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