Cultura

Orlando Sena será homenageado na “Mostra Cinema Conquista”

Fundamental nome do cinema brasileiro, Orlando Senna é o homenageado da Mostra Cinema Conquista – Ano 5. Cineasta, jornalista, escritor e diretor teatral. Um homem que reúne, dentro e em torno de si, multilinguagens.

Este é o baiano da cidade de Lençóis, Orlando Senna, um verdadeiro e vívido homem de cinema, um dos fundamentais nomes do cenário artístico e político do país e o homenageado da quinta edição da Mostra Cinema Conquista, que acontece de 6 a 11 de outubro, em Vitória da Conquista, Bahia.

Os filmes de Orlando sempre revelam um duro retrato da realidade brasileira, de um povo batalhador, mas sobrevivendo em meio à pobreza. Sustentando uma temática combativa, Orlando sofreu a censura de suas obras durante o Regime Militar. Foi, no entanto, aclamado e premiado internacionalmente por denunciar uma realidade escondida e por utilizar uma linguagem que passeia entre a ficção e o documentário. Suas obras, como “Iracema, uma Transa Amazônica” e “Gitirana”, expõem sua vida intensa e seu engajamento na efervescência do pensamento político-cultural, cujas lutas têm início na juventude, em fins dos anos 50, seguindo a linha do tempo em décadas posteriores como uma das cabeças pensantes do Cinema Novo, do Tropicalismo e do Cinema Marginal.

Na década de 90, participou da implantação da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba, da qual se tornou diretor em uma gestão bastante elogiada, alcançando prestígio intelectual na América Latina. Destaca-se também o seu comprometimento político com o audiovisual brasileiro, quando ocupou, entre 2003 e 2007, o cargo de Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura. Sua maior bandeira era dar visibilidade e apoio à produção de cinema e vídeo realizada em todas as regiões do país. Depois, Orlando assumiu a direção da TV Brasil e atualmente é presidente da TV da América Latina (TAL). Por todo esse longo e intenso percurso, o homem da montanha mostra sua real grandeza.

Orlando na Mostra

Como parte da homenagem ao artista baiano, a Mostra vai reservar espaço para apresentar ao público alguns de seus trabalhos, seja no âmbito do cinema ou da literatura. Na abertura, dia 6, às 19 horas, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, será exibido o curta-metragem “Cinema Novo” (1998), um dos segmentos que compõem o longa “Enredando Sombras”, filme coletivo sobre os cem anos de cinema na América Latina.

Durante a semana, também serão exibidos, no Centro de Cultura: o longa-metragem “Diamante Bruto” (1977), que conta a história de um triângulo amoroso e foi filmado na cidade de Lençóis, na Chapada Diamantina, interior da Bahia, região onde o cineasta nasceu; o também longa “Brilhante” (2006), dirigido por Conceição Senna, esposa do homenageado, e que trata do processo de transformação da cidade de Lençóis depois que serviu de locação para as filmagens de “Diamante Bruto”; e o média-metragem documental de Wolney Oliveira, roteirizado por Orlando e chamado “Sabor a Mi” (1992), sobre a história do bolero na América Latina.

O próprio Orlando estará presente na Mostra Cinema Conquista, realizando a conferência “Produção e difusão audiovisual na América Latina”, na abertura do seminário que traz como tema “Cinema e audiovisual no Brasil: alternativas de produção e difusão”, na quarta-feira, 7, às 14h30, no Teatro Glauber Rocha, campus da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Antes disso, pela manhã, Orlando compõe a mesa do “I Workshop sobre TV Educativa da Uesb”, no auditório da Biofábrica, Uesb, às 9 horas.

Será também montada uma instalação artística sobre Orlando, e seu talento como romancista será apreciado com o lançamento de dois de seus livros: “Os Lençóis e os Sonhos”, que se passa na Chapada Diamantina e narra a história de um garimpeiro acusado de um crime que não cometeu, e “Um Gosto de Eternidade”, história de Tingo, trovador, andarilho e aventureiro em uma longa jornada de autoconhecimento pela América Latina. Esta jornada tem paralelos com a construção pessoal e coletiva deste que é reconhecido internacionalmente pelo valor de sua obra e vida.

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