Política

Rapidinhas – Disputa pelas vagas do Senado pode ter surpresa na Bahia

Os principais partidos que vão disputar as eleições no próximo ano ainda não fecharam a chapa majoritária. Contudo, vários nomes são especulados para o Senado. A surpresa fica por conta do PMDB, que pode indicar o mega empresário João Carlos Cavalcanti caso não consiga lançar a dobradinha César Borges/João Henrique.

Mas os outros partidos também têm várias opções, e a dúvida passa a ser sobre os dois nomes que deverão ser escolhidos para compor as chapas majoritárias para disputar o pleito de 2010. Na chapa da oposição o interior pode ter um representante, o ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo.

PMDB tem três opções

O nome do geólogo João Cavalcanti, recentemente filiado ao PMDB, pode ser a grande surpresa entre as candidaturas até agora postas na disputa pelas duas vagas do Senado nas eleições do próximo ano. Bilionário, o empresário do ramo de mineração é uma aposta do partido para garantir votos à chapa encabeçada pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Contudo, há rumores de que a sua candidatura dependeria das decisões do prefeito de Salvador, João Henrique, de ser ou não candidato, e do senador César Borges, que tanto pode disputar a sua reeleição na chapa de Geddel quanto fechar questão na chapa do ex-governador Paulo Souto.  

Magnata dos minérios

 

Considerado um magnata dos minérios, com patrimônio estimado em US$ 1,2 bilhão, Cavalcanti admite sonhar com o Senado, acirrando ainda mais a disputa pelas duas cadeiras mais cobiçadas do Congresso Nacional. A cúpula peemedebista assina embaixo, e a ideia é compor a chapa com Cavalcanti e o senador César Borges (PR), isso no caso de João Henrique optar em continuar à frente da prefeitura de Salvador.

Dobradinha César/João

Mas há quem afirme que a noticia não passa de especulação. O mega empresário não teria cacife suficiente para pleitear uma vaga ao Senado, principalmente por não ser conhecido do eleitorado e o tempo correr contra ele. Por isso, a aposta é que o PMDB trabalha para ter o prefeito João Henrique e o senador César Borges numa dobradinha, o que representaria dois nomes com forte capilaridade de votos na capital e no interior. Assim, o nome do empresário seria lançado apenas se o projeto César/João falhar.

Chapa de Wagner tem várias opções

Já na chapa a ser encabeçada pelo governador Jaques Wagner (PT), a princípio os nomes mais cotados eram o do conselheiro Otto Alencar e o da deputada federal Lídice da Mata. Ex-governador e ex-deputado, embora afastado da política, Otto não perdeu o timing, por isso mantém uma forte relação com vários deputados, prefeitos e lideranças do interior. “Conheço a Bahia toda, e todo mundo que está aí”, diz o conselheiro, deixando o caminho aberto para um possível retorno à cena política. A sua candidatura viria justamente para ocupar o espaço deixado pelo ministro Geddel Vieira Lima, que deixou o barco governista. “Eles me convidaram para voltar, mas eu estou avaliando. Minha família não quer, por isso tenho que pensar”, explica Otto.

Lídice é opção à esquerda

Outro forte nome colocado na disputa por uma vaga ao Senado, a deputada federal Lídice da Mata (PSB) concorreria na faixa mais à esquerda. “A Lídice é importante porque dá um charme a mais na chapa, além de concorrer na faixa de esquerda”, disse um defensor da sua candidatura. O maior trunfo de Lídice para ter o seu nome escolhido é um pré-acordo feito durante a escolha do candidato do PT à prefeitura de Salvador em 2008. Segundo fontes do PSB, Lídice participou de uma reunião em que tomou parte também o presidente do PT, Jonas Paulo, e o governador Jaques Wagner, para que ela retirasse a sua pré-candidatura à prefeitura e, em troca, receberia o apoio para ocupar uma das vagas ao Senado na chapa de Wagner em 2010.

Acordo de 2008

Alguns petistas negam esse acordo, enquanto outros afirmam que o que foi acertado em 2008 não vale para 2010. Sem esperar, Lídice já trabalha a sua candidatura dentro do PSB e já angaria simpatia também dentro de outros partidos da base governista. Mas, nos últimos dias, os nomes dos secretários estaduais Walter Pinheiro e Nelson Pelegrino voltaram à baila, embolando mais ainda a escolha dos dois nomes que vão compor na chapa do governador Wagner. Na verdade, a disputa pela vaga passa também pela eleição de Salvador em 2010, uma velha pretensão dos atuais secretários.

Waldir Pires no jogo

Para complicar, o nome do ex-governador Waldir Pires também foi lançado na semana passado por alguns deputados petistas, o que mostra que a definição dos nomes está longe de acontecer. “Com todo respeito que tenho a Waldir, o nome dele foi lançado por algumas pessoas do PT por quererem combater a influência do secretário Walter Pinheiro”, revelou uma fonte petista, pedindo para não ser identificada.     

Oposição espera Borges

Na chapa da oposição, os nomes mais cotados para disputar o Senado são os dos senadores César Borges e ACM Júnior, o do ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, e o do deputado federal José Carlos Aleluia. A oposição também vive um forte dilema para a escolha dos nomes que devem formar a chapa majoritária junto com o ex-governador Paulo Souto. O que parecia fácil, parece se complicar cada vez mais com a indefinição do senador César Borges, presidente estadual do PR, que ora sinaliza para o palanque de Souto, ora namora o do ministro Geddel Vieira Lima.

A opção ACM Júnior

É que Borges está entre a cruz e a espada. Para compor com o ex-governador Paulo Souto, terá que receber o aval da direção nacional do seu partido, que pertence à base de sustentação do governo federal. Como Borges já descartou qualquer composição com o governador Jaques Wagner, uma aliança com o PMDB, que também é da base governista, seria digerida com mais facilidade. Por outro lado, o senador já foi avisado: caso decida optar pela candidatura do ministro Geddel Vieira Lima, acaba o compromisso da aliança DEM/PSDB em apoiar a sua reeleição. Neste caso, o nome do senador ACM Júnior seria lançado para ocupar a vaga, o que representaria uma ameaça á reeleição de Borges, já que teria um concorrente na mesma faixa do eleitorado. Aliás, Júnior já pontua bem em algumas pesquisas divulgadas.

Zé Ronaldo é o coringa

Por outro lado, a outra vaga para a disputa do Senado deverá ser ocupada ou pelo ex-prefeito José Ronaldo ou pelo deputado José Carlos Aleluia. Contudo, os oposicionistas podem mudar a estratégia, mexendo nas peças do time que vai entram em campo em 2010. Cotados para fazer parte da chapa oposicionista, os tucanos tanto poderiam indicar o candidato a vice quanto uma das vagas ao Senado. Neste caso, Ronaldo, que exerce uma função de coringa no time, seria deslocado para a posição de vice.

Evandro Matos 

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