Saúde

Morre, aos 106 anos, pai do conselheiro Zilton Rocha

Morreu hoje (dia 10) em Vitória da Conquista (BA), aos 106 anos, Laudelino da Rocha Silva, o Vovô Lau, como era conhecido o pai do conselheiro Zilton Rocha, do Tribunal de Contas do Estado da Bahia. Zilton é o 15º de 18 filhos de seu Laudelino, que viu nascer 72 netos, 125 bisnetos e 28 trinetos.

Natural de Poções, criado na zona rural de Umbuzeiro, Vovô Lau se estabeleceu no município de Nova Canaã antes da sua emancipação, em meados de 1930, lá exercendo as atividades de juiz de paz, comerciante, pequeno produtor rural e até correspondente do Banco do Brasil – aquele responsável por receber duplicatas e outros títulos e encaminhar à agência de Jequié.

Ultimamente, a comemoração de seu aniversário era acontecimento que extrapolava o âmbito familiar para ganhar os jornais e TVs. A reunião anual dos Rocha atraía também amigos, além de familiares que viam de diversos estados do Brasil e até do exterior. Vovô Lau deve ser sepultado amanhã (dia 11) pela tarde em Vitória da Conquista.

No ano passado, por ocasião do seu 105º aniversário, Vovô Lau foi instado pelo filho conselheiro a escrever suas memórias, resgatando, por conseguinte, aspectos históricos da cultura e da economia no sertão baiano do século passado. O registro, destacado na apresentação não como a saga de um clã que dominou terras ou cidades e sim como a história de camponeses, revela também um Laudelino solidário, probo e consciencioso em suas cinqüenta e poucas páginas, das quais transcrevo o trecho a seguir, narrado por Zilton:

Quando precisou ir para Belo Horizonte acompanhar Valdíria que estava doente na casa de Valdir e não sabia quanto tempo ficaria por lá, chamou-me à sobreloja e me disse: “isso aqui é o livro caixa. Ao final do dia você conta quanto vendeu e registra nesta coluna – entrada no caixa”. Como a loja, nesse período, era de sociedade com seu Durval Moreira, explicou-me: “você registra a saída e entrega o dinheiro a Durval”. Não me disse para ter cuidado, não me advertiu para não pegar o dinheiro para gastar, nada. Era como se tivesse a clareza de que estava intrínseco de que esse devia ser meu comportamento, e pronto.

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