Política

Rapidinhas – “Caso Agerba” esquenta a temperatura das eleições de 2010

Como acontece em muitos estados, a aliança do PT com o PMDB para as eleições do próximo ano na Bahia parece cada vez mais difícil de acontecer. O “Caso Agerba” é só a ponta de um vulcão que pode explodir com muito mais força.

Se antes havia dificuldade para a manutenção da aliança em razão dos interesses políticos, agora são novos ingredientes que foram colocados sobre a mesa para dificultar qualquer composição tanto no presente quanto no futuro. O episódio da Agerba, que envolveu figuras como a do ex-diretor geral Antônio Lomanto Netto, tio do deputado Leur Lomanto Júnior, que é líder do PMDB na Assembléia Legislativa, põe por terra qualquer esperança de reaproximação entre as duas legendas na Bahia.

Relacionamento se divide em fases

 

Na verdade, o relacionamento entre petistas e peemedebistas parece estar dividido em fases, iniciada com uma temperatura mais amena, mas que vai esquentando á medida que o tempo avança. E se outubro de 2010 é o limite, daqui até lá certamente os principais protagonistas desse jogo proporcionarão cenas mais arrepiantes, estabelecendo uma distância cada vez maior entre as duas legendas para o próximo pleito eleitoral.

O enunciado é que complica

 

Dessa forma, parece ser importante recapitular os fatos que culminaram na saída do PMDB da base do governo Jaques Wagner para se identificar quem atirou a primeira pedra. Inegavelmente, a saída dos peemedebistas da administração estadual nada significou além da vontade de lançar a candidatura do ministro Geddel Vieira Lima ao governo do Estado na próxima eleição. Contudo, o enunciado, repito, o enunciado, é que pode ter ajudado a botar fogo no paiol, ou melhor, ter permitido ou precipitado algumas decisões. 

Vaias encomendadas

 

Não custa lembrar os momentos em que alguns petistas vaiaram o ministro Geddel Vieira Lima, como em Itabuna, em dia de visita do presidente Lula ao estado. Falam ainda de Cachoeira, mas a última cena aconteceu na semana passada, na Praça Castro Alves, novamente com a presença do presidente Lula, durante evento pelas comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra. Diferente do caso de Itabuna, nesse não parece ter havido a participação de qualquer liderança petista no episódio, mas é provável que o subconsciente dos militantes ali presentes tenha se alimentado de fatos passados. Embora, importante não esquecer, fatos criados pelos dois lados.

O porquê das coisas

 

Mas outros episódios se sucederam ou antecederam a esses, e só contribuíram para aumentar a temperatura entre os dois partidos e as suas principais lideranças. A esta altura, talvez fosse mais interessante perguntar o porquê de cada coisa do que saber quem atirou a primeira pedra. Com o campo minado, resta às duas legendas entender que brigar às vezes é bom, mas não brigar pode ser bem melhor.  

 

O segundo turno é coisa certa

Qualquer que seja a realidade dos fatos relacionados ao “Caso Agerba”, a cena política é a que predomina nesse momento. Num ano pré-eleitoral, e envolvendo nomes diretamente ligados ao ministro Geddel Vieira Lima, candidato potencial ao governo do estado em 2010, não há como fugir dessa realidade. A nota distribuída à imprensa ontem pelo PMDB sobre o episódio dá muito bem a dimensão de como tudo poderá ser.

A reação peemedebista

 

Além de acusar o governo de perseguição política, ao mesmo tempo os peemedebistas cobram a apuração de fatos como o da Bahiapesca, onde o próprio líder do governo Paulo Rangel acusa um aliado de superfaturamento, ou o caso Rosenberg Pinto e o dinheiro repassado ás ONGs pela Petrobrás, só para ficar nestes dois exemplos.

2010 com temperatura elevada

 

Todos esses fatos mostram que a campanha eleitoral de 2010 vai ser feita sob uma temperatura elevada e dificilmente ela será definida no primeiro turno. Com três candidatos potenciais na disputa, não há como se fazer uma previsão dos fatos. Daí que surgem as indagações e as inevitáveis simulações. Por conseguinte, com Jaques Wagner, Geddel Viera Lima e Paulo Souto lutando no primeiro turno, só para citar os três principais possíveis concorrentes, alguém vai precisar de alguém no segundo turno.

Os cruzamentos do 2º turno

 

Da forma como os fatos estão se encaminhando, difícil imaginar o ministro Geddel Vieira Lima reunir condições para apoiar o governador Jaques Wagner num segundo turno contra Paulo Souto. E o caminho inverso, com Wagner apoiando Geddel, também parece difícil de acontecer. Claro, isso se a candidatura de Souto for para o segundo turno, porque a disputa pode também ficar entre Wagner e Geddel, um contra o outro, num segundo turno arrepiante. É esperar.

 

Por Evandro Matos

            

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