Política

Rapidinhas – Em carta, PV anuncia candidatura, critica governo e entrega cargos

Conforme estava previsto, a executiva estadual do Partido Verde entregou uma carta ontem ao governador Jaques Wagner (PT) comunicando o seu afastamento da administração estadual.

No documento, além de anunciar a candidatura dos deputados federais Luiz Bassuma ao governo e a de Edson Duarte ao Senado, os verdes também fazem algumas críticas à administração estadual, notadamente sobre a falta de diálogo no Conselho Político, as alianças formuladas e as diferenças programáticas.

Bandeiras do partido

 

A carta, assinada pelo presidente Ivanilson Gomes, inicialmente faz um relato sobre as bandeiras que o PV vem defendendo ao longo dos anos, ressaltando ainda a forma como o partido busca se inserir na sociedade e os caminhos para conquistar o poder.

Projeto Nacional

Dessa forma, o documento revela que a decisão de lançar candidaturas próprias na Bahia “atende a orientação da Direção Nacional, guiada pelo projeto nacional que o Partido Verde apresenta com a pré-candidatura da Senadora Marina Silva à Presidência da República”. Informa ainda o documento que “a nossa direção partidária realizou consulta em todo o estado, em cinco grandes encontros regionais, obtendo o aval da quase totalidade dos dirigentes municipais, a favor da candidatura própria”.

Críticas ao governo

 

Contudo, o partido deixa escapar no documento pontos de discordância com o governo estadual, antecipando e demarcando as suas posições. “Malgrado às diversas tentativas, não tivemos a oportunidade de diálogo político institucional durante estes três anos de governo em que o PV participou do Governo de Vossa Excelência. O Conselho Político, que deveria ser o espaço para a participação efetiva dos partidos que integram a base do governo, se reuniu apenas duas vezes”, diz um trecho da carta.

Diferenças políticas e programáticas

 

Nessa linha crítica à administração estadual, o documento pontua ainda as diferenças políticas e programáticas, condenando as alianças e os conflitos ambientais. “Faltou clareza sobre qual é o projeto político do governo, especialmente quando se resolve governar com aqueles que sempre defenderam projetos antagônicos ao nosso. Causou desconforto ao partido o encaminhamento de alguns temas estratégicos, a exemplo do porto sul, termoelétricas, usinas nucleares e outros, além do seu conteúdo conflitante com o nosso programa, incomodaram pela forma antidemocrática como foram e vem sendo conduzidos”, diz trecho do documento.

Anúncio de candidaturas

Após essas observações, o documento encaminhado pelo PV ao governador Jaques Wagner informa ainda sobre a decisão de lançar candidaturas próprias na eleição de 2010. “Desta forma, vimos comunicar a V. Exa. da decisão do Partido Verde em concorrer com candidaturas majoritárias para as eleições de 2010, com indicativos das pré-candidaturas do deputado federal Luiz Bassuma para Governador e do deputado federal e líder do PV na Câmara dos Deputados, Edson Duarte, para o Senado”.

 

Entrega dos cargos

Por fim, o documento revela ainda outra parte polêmica, que é a que comunica a entrega dos cargos indicados pelo partido ao governador Jaques Wagner. “Comunicamos também que, a partir deste momento, o Partido Verde na Bahia coloca à disposição do Senhor Governador todos os cargos que venham a ser entendidos como indicação deste partido político”, encerra o documento, assinado por Ivanilson Gomes, e que deve ter deixado insatisfeita a ala governista do partido pelo seu conteúdo.

Resistência dos dissidentes

 

No mesmo dia da entrega do documento, os dissidentes do PV reagiram à decisão. Tanto o secretario estadual Juliano Matos, quanto o ministro Juca Ferreira e a presidente do CRA Beth Wagner, lutaram até o último momento para que o partido apoiasse a reeleição do governador Jaques Wagner, ao invés de lançar candidato próprio. Beth Wagner disse que a carta entregue pelo PV na governadoria é um documento “inócuo”.  Segundo ela, “os cargos sempre estiveram à disposição de Wagner. Quem é candidato terá o prazo para sair do governo, que vai ser definido por Wagner”.

Juliano quer ficar no governo

 

Confirmando as especulações, Beth Wagner disse que é pré-candidata ao Senado e o secretário estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos Juliano Matos, vai disputar uma vaga na Câmara Federal. O secretário disse que ficará no cargo, se assim for o desejo de Wagner, pois ele não reconhece o rompimento do partido com o governo. “O encontro deu um indicativo de candidatura própria, mas não decidiu sobre rompimento com o governo”, declarou. Contudo, não houve confirmação se o ministro Juca Ferreira se colocaria na disputa para o governo, para concorrer com Luiz Bassuma, já lançado nos encontros regionais.

Encontros democráticos

Diante das insubordinações, o presidente Ivanilson Gomes revelou que a decisão veio das bases do partido e que os encontros regionais foram democráticos e todos tiveram a oportunidade de se manifestar. “A base aclamou o nome de Bassuma candidato a governador e o de Edson Duarte ao Senado”, disse Gomes, desfazendo a tese de que o nome de Bassuma não teria o apoio do partido, como chegou a ser especulado por alguns.

 

Decisão das bases

 

Contudo, Ivanilson informou que todos têm conhecimento do estatuto do partido e, se preciso for, vai usá-lo para enquadrar os que não seguirem a decisão soberana das bases. “Apesar de tudo, respeitamos o contraditório. O partido permitiu que eles manifestassem as suas posições. Mas tanto o secretário (Juliano Matos) quanto o ministro (Juca Ferreira) falaram que respeitariam toda decisão que viesse das bases do partido”, concluiu.

          

Por Evandro Matos

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