Política

De olho no Planalto, PSDB vai criar vitrines regionais

A estratégia é fazer as costuras estaduais, viabilizando palanques para o candidato tucano à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda este mês, o presidente e o secretário nacionais do partido começarão a viajar pelo País.

Com palanques desarticulados nos principais colégios eleitorais do País, o PSDB deverá dedicar o começo do ano para desembaraçar os nós nos Estados onde ainda não tem estrutura eleitoral definida para dar suporte ao seu candidato à Presidência da República em 2010. O objetivo é criar vitrines regionais robustas para a campanha e, para isso, o partido pretende fechar a costura política até março.

Os tucanos se preocupam com três Estados nos quais não há candidato definido até agora – Rio de Janeiro, Ceará e Amazonas. Na segunda quinzena de janeiro, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e o secretário-geral do partido, Rodrigo de Castro (MG), começam a viajar pelo País. O medo é repetir 2006, quando o então candidato a presidente Geraldo Alckmin ficou praticamente sem campanha nos Estados.

À época, o receio de perder votos fez com que candidatos a governador evitassem fazer oposição à reeleição de Lula. “É melhor um palanque menor, mas que seja fiel ao nosso candidato a presidente. Dessa vez, não vamos admitir os erros de 2006”, declarou Rodrigo de Castro. “Na campanha passada, tivemos palanque demais e campanha de menos”, disse Guerra.

O Rio é o principal motivo de dor de cabeça no PSDB. Havia dois anos que se apostava no palanque com Fernando Gabeira (PV). O deputado, no entanto, já disse preferir o Senado. Tucanos agora se dividem entre fabricar a candidatura de um parlamentar – Marcelo Itagiba, Otávio Leite ou Índio da Costa, este do DEM – ou convencer o ex-prefeito César Maia (DEM), que também quer o Senado e resiste a “ir para o sacrifício”.

O PSDB está sem candidato no Ceará, reduto do presidenciável Ciro Gomes (PSB). O senador Tasso Jereissati, amigo de Ciro, resiste a disputar contra o governador Cid Gomes (PSB). O PT fechou apoio a Cid e construiu uma frente com PMDB e PSB.

Maior vexame da eleição de 2006, o Amazonas continua sendo uma interrogação para o PSDB. Lá, Alckmin teve apenas 176.338 votos contra 1.159.709 de Lula. Por enquanto, nada diz que a situação será diferente. O partido ensaia um flerte com Amazonino Mendes (PTB), mas foca na reeleição do senador Arthur Virgílio.

O Distrito Federal também inspira cuidado, já que os tucanos perderam o palanque do governador José Roberto Arruda, envolvido no mensalão do DEM. Não está descartado o apoio ao ex-governador Joaquim Roriz (PSC) ou, num cenário menos provável, um palanque próprio com Maria de Lourdes Abadia.

Paraíba e Rio Grande do Sul também estão indefinidos. No primeiro caso, a ala do ex-governador Cássio Cunha Lima no PSDB apoia Ricardo Coutinho (PSB), prefeito de João Pessoa. Outra quer lançar o senador Cícero Lucena. No Rio Grande do Sul, Yeda Crusius quer se reeleger, mas a cúpula prefere o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB).

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