Esporte

Gerônimo, atleta de Riachão do Jacuipe, deve ser titular no Atlético-PR

Gerônimo (baiano de Riachão do Jacuipe) e Kaio, dois jogadores da base do Atlético do Paraná foram convocados pelo treinador Antônio Lopes para serem aproveitados em 2010.

“Estou no clube há sete anos, mas só agora vou ter a minha primeira oportunidade. Fui emprestado para a Ferroviária-SP em 2008 e para a Geórgia (Olimpi Rustavi) em 2009. Jogo de volante e lateral-direito”.

“Tenho 22 anos, sou armador de origem, mas, se precisarem, posso jogar no ataque e até na ala-esquerda. Volto de empréstimo do Cerezo Osaka, do Japão. Cheguei no Atlético em 2005”.

Os atleticanos provavelmente ainda não descobriram quem são os personagens que abrem esta reportagem. Não é fácil mesmo. Por isso, a apresentação. Trata-se de Gerônimo e Kaio, dois “desconhecidos” que reforçam o Rubro-Negro em 2010. Em comum, o longo período nas categorias de base, o ostracismo no time principal e a busca por espaço longe da Baixada.

A dupla volta a pedido de Antônio Lopes. E por necessidade do clube, sem dinheiro em caixa para grandes investimentos. “O Gerônimo, por exemplo, eu vi treinando no ano passado, aqui, na época do Waldemar Lemos (ex-treinador). Gostei e conversei com o Lopes”, afirma Ocimar Bolic­­e­­nho, diretor de futebol do Furacão. “Fui eu quem trouxe o Kaio dos juniores, em 2007. Estamos ansiosos para vê-los”, emenda o treinador.

Ansiedade que deve aumentar, pelo menos em relação a Kaio. O jogador ainda se recupera de uma tendinite (inflamação de tendão) no joelho esquerdo, resquício da passagem de um ano e meio pelo fu­­tebol japonês. “Mas, segunda-feira já volto a fazer os trabalhos físicos”, apressa-se em dizer, ansioso para entrar logo na briga por um lugar na linha de frente rubro-negra. Gerônimo, por sua vez, deve ser titular já na largada do Estadual.

Kaio aprendeu no Oriente a fazer gols. Atuando mais avançado, como atacante de movimentação, balançou as redes 15 vezes em 32 partidas no ano passado. “Fui o segundo artilheiro do time. Isso que fiquei 18 jogos fora, tratando de uma lesão no tornozelo”, diz ele, que além da proposta de renovação do Cerezo Osaka, era cobiçado por Nagoya Grampus e Shimizu S-Pulse. “Mas o Atlético pediu para que retornasse. Essa é a minha chance”.

Gerônimo

 

Gerônimo, 20 anos, foi ao Japão apenas com a seleção brasileira de base (serviu as equipes Sub-16 e Sub-17). Estava em um futebol menos badalado, escondido na Geórgia – país do Leste Euro­peu, antiga república da extinta União Soviética – com outros quatro ex-atleticanos desde o meio de 2009.

“A experiência foi muito boa, só sofri com a comida. Era só macarrão e arroz, macarrão e arroz… Todo dia, rapaz. E na hora do jogo fazia, às 9 horas da manhã, a única refeição. Só que a partida era às 4 da tarde. Tinha de jogar com fome mesmo”, recorda. “Sonhava com o feijãozinho, viu. E com a carninha, uma alcatra também”, conta, rindo, o bom baiano de Riachão do Jacuípe.

Gerônimo esteve em Riachão do Jacuipe entre o Natal e Ano Novo. Ele reencontrou os amigos de infância, jogou bola e botou o papo em dia. Seu pai, conhecido como Nega Rita, mora em Riachão no bairro da Bela Vista.  

Evandro Matos, com informações do jornal Gazeta do Povo

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