Política

Em entrevista, Bassuma critica Wagner e comenta sobre a sua saída do PT

Em breve entrevista para o Portal à correspondente Laura Ferreira, o deputado Luiz Bassuma fala de sua saída do PT, diz que Wagner está com a pior parte do Democratas, relembra episódios no interior que o ajudaram a se afastar do PT, além de dizer que está satisfeito no Partido Verde.

Laura Ferreira– Deputado, como o senhor se sente em ter chegado recentemente ao PV e já ser o candidato ao governo pelo partido?

Bassuma – Na realidade eu é que tomei a iniciativa, do ponto de vista político, isso é fora dos padrões, pois acabei de ingressar no PV, que inclusive me recebeu como se fosse da família. No segundo dia que estava no PV sem nem conhecer todos os filiados, nem toda executiva do partido, pedi permissão ao presidente Ivanilson para divulgar meu nome com candidatura própria. Entenda, eu não fui pro PV com essa condição, apenas me filiei para ajudar o partido, então por tudo isso estou muito satisfeito.

Laura Ferreira- O senhor pode esclarecer melhor a causa de sua saída do PT?

Bassuma – Eu queria sair desde 2005, quando houve a crise do mensalão, na época eu publicamente escrevi uma crítica aos políticos do PT envolvidos no escândalo. Tentei sair do PT naquela ocasião, reuni as pessoas que trabalhavam comigo há muitos anos, mas elas acharam que eu  deveria  continuar no partido. No mesmo ano, surge no Congresso uma proposta de legalização do aborto, eu como sou espírita e tenho isso como prioridade. Acho que é preciso que se tenha planejamento familiar, mas não o aborto como uma política pública. E o PT queria essa legalização, eu descumpri isso, criei e aprovei uma CPI para apurar o governo do qual eu fazia parte e que nada faz para as políticas públicas pró-vida. Assim, no dia 17 de setembro de 2009 isso culminou no meu julgamento. O Diretório do PT resolveu me suspender por um ano, isso é pior do que uma expulsão, pois, o deputado fica sem poder participar das decisões, não vota, e etc. Ele se torna um zumbi, é uma espécie de meia cassação. Eu preferia que o PT fosse mais transparente e que tivesse me expulsado de vez.

Laura Ferreira – O senhor tem militado muito a favor de cassações de prefeitos corruptos na Bahia, fale um pouco desse processo.

Bassuma – Entre as várias cidades, Riachão do Jacuípe é uma que se destaca, cidade bem próxima a Salvador, que em 2004 nos aliamos a uma candidatura do PSB e vencemos. Só que esse candidato que nós apoiamos, um jovem dentista que parecia querer mudar a cidade, em pouquíssimo tempo mostrou quem era, e nós rompemos com ele. Essa sessão foi histórica. Eu sai de Brasília para acompanhar pessoalmente lá em Riachão e conseguimos provas contra esse prefeito corrupto, o que não é fácil. O resultado é que o prefeito não foi cassado apenas por um voto. E, lamentavelmente, por um companheiro (na ocasião) do PT, o Teodomiro do Sindicato, um representante dos trabalhadores rurais, mas que merecidamente, esse sim, foi punido sendo desmoralizado e expulso do partido. O que aconteceu é que nosso partido passou a fazer oposição a esse prefeito, que se tornou o prefeito traidor do povo, mas hoje, lamentavelmente, o Wagner vai pra Riachão  do Jacuípe e abraça esse prefeito junto com os deputados da direita, ignorando o PT da cidade, isso pra quem vive na  cidade é lastimável, ao invés de ter um mínino de comportamento coerente, Wagner prefere apoiar os neo-aliados ignorando os aliados históricos, e isso aconteceu em várias cidades como Paulo Afonso e tantas outras.

  

Laura Ferreira?  E como anda tais processos de cassações a esses prefeitos?

Bassuma: A nossa Justiça é lentíssima, é uma área que não anda. O processo de Riachão, por exemplo, está há um ano parado, agora nesse caso quem tem que tomar a decisão é o povo nas eleições, é o que nos resta esperar.  

Laura Ferreira – E o PV terá postura diferente?

Bassuma – Acredito que sim, apesar de todo partido ser constituído por homens e mulheres, sujeitos a cometer erros, um partido inteligente e uma pessoa inteligente tem que aprender com os erros dos outros, então temos o PT que se dizia diferente e de repente se igualou a todos. Então, o Partido Verde tem no mínimo a obrigação de fazer diferente e se desviar do caminho que o PT tomou.

Laura Ferreira– Quais as suas principais propostas de Governo?

Bassuma– Vamos discutir com a sociedade agora para que em março possamos estar com nosso programa pronto, nós temos que provar que somos bons de cozinha, faço essa comparação, pois é lá que tudo acontece, então serão as políticas públicas que vão gerar saúde, educação, segurança, enfim,  qualidade de vida. Nossa maior diretriz é a mudança de paradigma, não podemos manter políticas que sejam concentradoras de riqueza, por exemplo, Salvador é a terceira capital do Brasil e ela gera 1 milhão e meio de quilos de lixo por dia, sabe quanto desse lixo é reciclado em Salvador, apenas 1000% do lixo, uma coisa absurda, esse lixo poderia gerar cooperativas de reciclagem  e empregar milhares de jovens que estão nas drogas e na criminalidade por que não têm expectativa de trabalho. Agora por que os governos que passam não querem quebrar essa espinha dorsal? Porque o lixo é fonte de corrupção, interessa enterrar toneladas de lixo porque muita gente ganha dinheiro com isso ao invés de reciclar, então isso para nós será uma mudança de paradigma.

Laura Ferreira: Como o senhor analisa o governo Wagner?

Bassuma– Ele não é um governo ruim, não consideramos, porém precisa fazer muito, romper velhas estruturas na Bahia e trabalhar muito para ser no mínimo considerado bom. Avançar na saúde, educação, segurança, sem falar que o governo de Wagner, do ponto de vista político, tem feito alianças e dado apoio a velhas representações do carlismo na Bahia sem romper com o que estava e estar de fato errado, ele ainda precisa avançar muito. Por exemplo, algumas figuras do DEM que estão com ele é a pior parte do DEM, são os da banda podre, pois acho que com o Paulo Souto os que estão têm ideologia, pois assumem seus posicionamentos e não são oportunistas. Não só na Bahia, mas considero que a política humana aqui no Brasil virou um deserto, um deserto de idéias e de moralidade, é uma sucessão de escândalo todos os dias. 

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