História

Homem da Meia-Noite arrasta milhares de foliões em Olinda

Vai chegando a 0h de sábado e milhares de pessoas saem às ruas para acompanhar o cortejo de um dos mais famosos blocos de Carnaval do Olinda, o Homem da Meia-Noite. De chapéu, fraque e a chave do Carnaval, o calunga é reverenciado a todo instante, desde o início da apresentação, na rua Bonsucesso.

Na madrugada de hoje, o Homem da Meia-Noite arrastou, segundo dados da Polícia Militar, mais de 250 mil foliões. As pessoas se apertam em meio às ruas estreitas da cidade e aguardam a passagem do bloco penduradas em janelas e nos monumentos. A tradição ultrapassa a brincadeira do reinado de momo e mistura misticismo e religião.

De acordo com o presidente do clube do Homem da Meia-Noite, Luiz Adolfo Alves de Silva, o personagem nasceu no dia 2 fevereiro de 1932, de uma dissidência da troça Cariri de Olinda, que abria, até então, o Carnaval na cidade no começo da manhã de domingo.

No imaginário popular de Olinda, o Homem da Meia-Noite, na verdade, foi um homem forte que à 0h, vestido de verde, com chapéu, pulava a janela das donzelas para namorar. “Ele era um grande namorador”, afirmou.

Tem gente na cidade que jura ter visto o Homem da Meia-Noite. A aposentada Maria Expedita do Nascimento, 78 anos, que mora ao lado da sede do bloco, onde o calunga é montado todos os anos, afirmou que o local foi escolhido porque o antigo proprietário do imóvel viu o espírito do personagem.

“Quando mudei para cá, ainda não era sede, era um oficina cheia de mato. Depois colocaram ela aí porque o vizinho viu o Homem da Meia-Noite no campo”, disse. Encantada com a passagem do calunga, dona Maria afirmou que o cumprimento do personagem é uma benção. “Sou colega dele”, disse. “É maravilhosa a passagem dele, a continência que ele faz para gente. Uma coisa seríssima.”

É mesmo a fé que move os apaixonados pelo Homem da Meia-Noite. O vigia Pedro Garrido da Silva carrega os 49 kg – o peso do boneco gigante – pelas ruas de pedra e as ladeiras da cidade com disposição e sem demonstrar cansaço.

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