Economia

Após perda de 30%, setor sisaleiro define ações para superar crise

Articulação entre governo e entidades garante a criação de uma Câmara Setorial do Sisal. O objetivo é discutir e buscar soluções para superar o momento ruim.

Depois de um ano difícil em  que a cadeia produtiva do sisal acumulou perda, em média de 30%,  governo, entidades representativas do setor na Bahia e mecanismos de financiamento se reuniram para anunciar a instalação da Câmara Setorial do Sisal. Mesmo sem a formalização do grupo, prevista para março, a reunião preliminar apontou soluções para o setor.

O primeiro leilão de sisal de 2010 está previsto para acontecer na próxima semana, quando a expectativa é comercializar 50 mil toneladas. Se os trabalhos da Câmara Setorial derem certo na Bahia, produtores esperam, até o final do ano, que o Ministério da Agricultura  aprove uma câmara nacional.

Em 2009, a queda dos preços foi regulada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que garantiu a comercialização do produto, por meio de política de aquisições. Em 2010, a estatal anunciou aporte de R$ 16 milhões para regular o preço do sisal,  mas com uma mudança de estratégia.

A pedido de empresários, o sisal foi incluído no Programa de Prêmio por Escoamento de Produção (PEP). “Continuaremos a fazer aquisições, mas em volume menor, já que temos um estoque significativo”, comentou o superintendente de gestão e oferta da Conab na Bahia, Carlos Eduardo Tavares.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais do Estado da Bahia (Sindifibras), Wilson Andrade, explica que por meio do PEP a indústria compra pelo preço mínimo da Conab, vende a produção e recebe, do governo, o prêmio sobre a diferença. “Esta política é mais econômica para o governo e beneficia toda a cadeia produtiva”, afirma Andrade.

Incentivos – Além de governo e produtores, a Câmara Setorial do Sisal também será composta por representantes de trabalhadores, por meio da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado da Bahia (Fetag-BA), que encabeça a luta pela renovação do maquinário a fim de evitar acidentes de trabalho.

O pesquisador e gerente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Região do Sisal (IDR Sisal), Silvio Roberto Habib, participou das articulações na região do sisal. “Vejo uma luz no fim do túnel com a criação da câmara, um fórum importante para se discutir de forma permanente problemas e soluções do setor,  que emprega cerca de 700 mil pessoas e que há anos, foi relegado a último plano pelas autoridades”.

A Secretaria de Agricultura do Estado, informa que pretende encaminhar a Brasília proposta para incluir as máquinas usadas no sisal no Programa Mais Alimentos, que concede crédito de até R$ 100 mil a pequenos produtores.

Outra meta da câmara é fazer o levantamento da dívida do sisal na Bahia, como foi feito com o cacau. Em 2009, a queda foi de 37% nas exportações da fibra de sisal e de 18% nas do sisal manufaturado, segundo levantamento do Sindifibras.

A queda de produção também é atribuída à praga conhecida como “podridão vermelha”. Roberto Habibi, da IDR Sisal, afirma que até agora não foi dada a devida importância à praga. “Esta doença existe há quase 10 anos sem nenhuma providência efetiva. A praga está se alastrando com uma velocidade espantosa, com um índice de infestação de 33% nos municípios de Valente e Araci”.

Fonte: A Tarde

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