Política

Rapidinhas- Possíveis componentes das chapas ao governo vivem expectativa

Com a aproximação do período eleitoral, os possíveis componentes das chapas majoritárias vivem momentos de expectativa. Sem saber quais serão os seus papeis na próxima eleição, vários políticos aguardam uma posição dos seus partidos para se definir.

Tal situação se passa tanto no campo governista quanto no oposicionista, quando se percebe uma guerra de bastidores entre as legendas e, ao mesmo tempo, aumentam as dúvidas para definição das duas vagas para o Senado e a de vice.

Dois carlistas

 

Pelo lado da situação, na formação da chapa a ser encabeçada pelo governador Jaques Wagner (PT) há um problema maior para definição dos nomes tanto pelas brigas dos partidos pelos espaços, quanto pela questão ideológica, onde algumas correntes de esquerda têm dificuldades em aceitar dois ex-carlistas para preencher as duas vagas para o Senado, possibilidade que passou a ser fortemente admitida nos últimos dias.

PSB quer Lídice

 

Na briga por uma vaga para a deputada federal Lídice da Mata na chapa, o PSB, por exemplo, diz não abrir mão de uma vaga ao Senado, embora veja com bons olhos a indicação da socialista para vice de Wagner. Presidente estadual da legenda, Lídice tenta acalmar os filiados e afirma que o seu caminho natural é apoiar a reeleição do petista, independente de estar ou não na chapa. Semana passada, em entrevista à Rádio Excelsior, Lídice confirmou o que dissera no encontro do PSB. “Mesmo se ficar fora da chapa, vamos apoiar, porque o nosso projeto maior é a reeleição de Wagner”, reiterou.

Ameaça de candidatura própria

 

Contudo, o deputado Capitão Tadeu, uma voz respeitada dentro do partido, coloca a inclusão do nome de Lídice na chapa como uma condicionante ao apoio à reeleição de Wagner. No último encontro do PSB, o deputado lançou o Manifesto Fidelidade Miguel Arraes, que, entre outros itens, sugere, inclusive, a candidatura própria ao governo do Estado. A situação de Lídice, nesse caso, é delicada. Além de não querer fazer barulho para deixar o caminho livre, precisa administrar as vozes mais exaltadas dos socialistas.

PDT quer vice para Nilo

 

Também na chapa governista, o deputado Marcelo Nilo (PDT) começou dizendo que não brigaria para ser o vice de Wagner. Disse apenas que, se fosse convidado, aceitaria. Contudo, nos últimos meses, percebendo que a possibilidade lhe batia à porta, Nilo mudou um pouco o discurso. Mesmo sem brigar, o pedetista já se coloca como uma alternativa real e até torce para que as coisas convirjam por esse caminho.

Compromisso de adesão

Mais do que Nilo, o PDT de há muito sonha com essa possibilidade. Aliás, o presidente estadual da legenda não cansa de lembrar que, quando o partido aderiu ao governo, uma das exigências do ministro Carlos Lupi (presidente licenciado da legenda) foi a participação na chapa majoritária. Assim, um nome ligadíssimo a ele concordou com a movimentação de Nilo. “Há muito tempo o partido trabalha por isso”, lembrou.

Senado pode mudar perfil da chapa

 

Com o nome de Otto Alencar reservado na chapa para o PP, a briga pela outra vaga para o Senado ficou restrita ao PT e ao PSB. Contudo, a dinâmica política parece indicar caminhos diferentes. Durante o carnaval, Wagner praticamente descartou a participação de outro nome petista além do seu para compor a chapa. Isso, certamente, para dar lugar às articulações que vinha mantendo com o PR, que ganharia a outra vaga para a reeleição do senador César Borges. Nesse caso, a briga não é só para participar da chapa, mas também para convencer aliados sobre novos caminhos que podem se abrir. 

     

Oposição vive o mesmo drama

Na oposição, o quadro não é diferente: nomes e especulações também não faltam, mas a indefinição tem provocado muitas dúvidas. Na chapa DEM/PSDB sabe-se apenas que o ex-governador Paulo Souto será o candidato ao governo e que, se ficar na oposição, César Borges tem uma das vagas assegurada para o Senado. Mas talvez seja este o nó mais difícil de ser desatado para que as coisas avancem no campo da oposição.

Ronaldo na moita

 

De Feira de Santana o ex-prefeito José Ronaldo aguarda como um bom aliado as conversas para saber em que posição vai jogar: se disputará o Senado, se comporá como vice ou se disputará uma vaga na Câmara Federal. Enquanto a definição não chega, Ronaldo fica sem saber o que dizer nas suas bases. Com uma eleição praticamente garantida para a Câmara, o democrata diz que está à disposição do partido para qualquer composição. “Estamos conversando e na hora certa tudo será resolvido”, apostou.

Nilo Coelho como vice

 

A situação do prefeito de Guanambi e ex-governador Nilo Coelho é quase semelhante à da Zé Ronaldo. Bem no seu município e região, Nilo vem sendo cotado também para compor a chapa majoritária com Souto, mas não briga por isso. Ao contrário, a oposição é que parece mirar na sua força. “Ele está muito bem, gosta de fazer política, gosta de Paulo Souto, mas acho que ele não tem interesse em voltar a disputar outra eleição”, avalia o deputado Luiz Augusto, primo de Nilo.

Realidade mostra ser diferente

 

Mas, na prática, a realidade parece ser diferente. Além de estar sempre acompanhando a comitiva oposicionista nas viagens pelo interior, Nilo Coelho tem se comportado como quem quisesse algo mais, além de uma simples colaboração no processo eleitoral. Consta ainda que o neo-tucano, poderoso criador de gado e produtor de algodão no sudoeste baiano, já adquiriu um novo avião e colocou à disposição de Paulo Souto para a campanha.

Brito no lugar de João

 

No PMDB, que até outro dia tinha o prefeito de Salvador, João Henrique, como uma forte possibilidade para disputar o Senado, agora a carga se volta para o vice Edvaldo Brito (PTB), cada vez mais propenso a aceitar disputar a vaga que poderia ter sido do prefeito. Enfim, enquanto o dia das convenções não chega, as conversas se ampliam e as dúvidas persistem nas cabeças dos possíveis candidatos da situação e oposição.

Por Evandro Matos       

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