Política

Rapidinhas – Guinada de Wagner para a direita pode dar chabu na chapa

A aliança que vem sendo articulada nos bastidores entre o governador Jaques Wagner (PT) e o presidente estadual do PR, senador César Borges, para a disputa eleitoral do próximo mês de outubro pode sofrer um grande retrocesso.

Anunciada como um fato quase concreto durante o carnaval, e considerada um grande trunfo para a formação da chapa majoritária dos governistas, a aliança parece agora enfrentar o seu pior momento devido às reações que vem recebendo de diferentes setores da base aliada.

PSB gritou primeiro

 

Primeiro foi o PSB, que vinha mostrando a sua insatisfação pela não inclusão do nome da deputada federal Lídice da Mata nas formatações que vinham sendo especuladas no seio dos governistas e divulgadas pela imprensa baiana. O quadro ficou mais acentuado quando da realização do último encontro estadual dos socialistas, em Salvador, em janeiro deste ano.

Manifesto Miguel Arraes

 

Na oportunidade, o deputado estadual Capitão Tadeu lançou o Manifesto Miguel Arraes, cujo pilar principal é a defesa da candidatura de Lídice ao Senado, ou, no mínimo, a sua inclusão na chapa majoritária governista. “Não aos carlistas”, dizia trechos do manifesto lido por Tadeu, numa clara condenação às especulações em torno dos nomes de Oto Alencar e César Borges para o Senado na chapa de Wagner, o que excluiria de vez a presença da deputada socialista.

Tadeu detona aliança

 

Ontem, o parlamentar voltou a se pronunciar sobre o assunto. Capitão Tadeu mirou contra a aliança do governador Jaques Wagner com o senador César Borges, como já fizera antes em relação a Otto Alencar. O socialista aproveitou ainda para concordar com as reações do PT, que foram manifestadas através de pichações em muros da capital baiana. “Mesmo sendo radicalmente contra a depredação de bens públicos e/ou privados, é humanamente aceitável, revoltar-se contra o verdadeiro acinte que significa na prática essa união política”, declarou Tadeu.

História jogada fora

Continuando a sua insatisfação, Capitão Tadeu questionou as negociações conduzidas pelo governador petista. “Será que Wagner e a alta cúpula do PT acham que os estudantes baianos que foram reprimidos a mando do então Governador César Borges, em 2001, votarão nesse híbrido que eles pretendem chamar de chapa?”, indagou. Ele disse ainda que o eleitor julgará a aliança, caso ela se concretize, alegando que “desafiar a inteligência dos militantes de esquerda, desejando nos convencer que a luta de toda uma vida foi em vão, não é justo, ético, nem tampouco republicano”.

PT também reage

Nesta segunda-feira o PT também voltou a se manifestar contra a formação da aliança entre Wagner e César Borges. Foram atribuídas a militantes do partido várias pichações nas ruas de Salvador condenando a formação da chapa governista com a inclusão do nome do carlista.

Pichações irônicas

 

As pichações continham mensagens irônicas envolvendo alguns petistas considerados defensores da proposta, o que foi interpretado como ironia e provocação. Durante o dia, alguns nomes citados se apressaram em divulgar notas afirmando que nada tinham a ver com as manifestações, como fez o deputado federal Emiliano José.

Líder petista detona Borges

 

Mas se nesta segunda-feira o recado foi dado pela militância, na véspera do carnaval o líder da bancada do governo na Assembleia Legislativa, deputado Paulo Rangel, já havia se manifestado contrário à aliança com o senador republicano. O fato gerou um mal estar na base governista, havendo a necessidade de intermediários para apagar o fogo amigo.

Base surpreendida

 

Contudo, ontem Rangel voltou a condenar qualquer possibilidade de aliança com Borges, alegando, principalmente, o seu passado. “É natural que uma aliança com César Borges surpreenda toda a base política do Partido dos Trabalhadores. Não posso falar pelo conjunto do partido, mas essa é minha posição pessoal”, disse o líder petista, rechaçando a aliança.

Na Bahia é diferente

 

Mesmo considerando importante uma coligação no âmbito nacional com o PR, na Bahia Paulo Rangel não vê da mesma forma. “Não podemos deixar de reconhecer a importância do PR a nível nacional, mas na Bahia é diferente. Nós condenamos os 16 anos dos governos carlistas, e César Borges era o maior expoente daquela forma de governar”, lembrou. “Uma pessoa que ficou na oposição por mais de três anos, e agora busca uma avaliação eleitoreira entre os três candidatos, isso é inaceitável”, reforçou o líder.

Nomes petistas

 

Para Rangel, existe muita especulação e pouca realidade sobre o caso. “Acho que é especulação. Espero que não se concretize”, falou. O líder também opinou sobre a chapa ideal, notadamente para o Senado. “O ideal é que a composição tivesse os partidos históricos que sempre estiveram juntos com Jaques Wagner e o PT”, disse, citando os nomes de Waldir Pires, Walter Pinheiro, Nelson Pelegrino e Zezéu Ribeiro como as melhores opções entre os petistas.

Aprova Otto

 

Paulo Rangel, contudo, disse ser favorável ao nome do conselheiro do TCM Otto Alencar na chapa para o Senado. “Defendo uma chapa equilibrada. Otto foi parceiro de primeira hora”, justificou.

Nem ajoelhado no Bonfim

 

Por fim, Paulo Rangel descartou a presença do presidente do PR na chapa de Wagner, alegando que “o PT não pode se prender a uma vontade política eleitoreira de César Borges”. E arrematou: “Para acreditar na boa intenção de César Borges, nem ele fazendo autocrítica, ajoelhado na Igreja do Bonfim, onde recebia água benta das baianas ao lado do senador Antônio Carlos Magalhães”.

Conselho Político avalizou

 

No que pese a reação dos esquerdistas sobre a presença de carlistas na chapa de reeleição de Jaques Wagner, nesta segunda-feira o Conselho Político do Governo se reuniu e o assunto acabou se transformando no principal da pauta de discussões. Protestos à parte, a verdade é que Wagner recebeu carta branca para escolher os nomes, o que lhe dá suporte para convencer as vozes destoantes dentro do PT e entre os partidos aliados, notadamente o PSB do Capitão Tadeu.

Por Evandro Matos

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