Polícia

Mulher que perdeu bebê revela que esperou 12 anos para engravidar

Costureira estava na sala de parto quando dois médicos teriam brigado. Bebê nasceu morto depois da confusão em hospital de Ivinhema.

“É muito doloroso, estou sentindo um vazio enorme no peito. Esperei 12 anos para engravidar de novo e acabei perdendo filha na mesa de cirurgia”, foi dessa maneira que a costureira Gislaine de Matos Rodrigues, 32 anos, resumiu o que está sentindo após relatar à polícia a confusão entre dois médicos na sala de parto no hospital municipal de Ivinhema (MS), nesta terça-feira (23). O bebê nasceu morto.

Ela disse ao G1 que já começou a doar parte das peças do enxoval da filha. “Não quero guardar nada. Não tenho condições psicológicas de entrar no quarto que montamos para minha filha. Já está tudo desmontado. Doei o que podia ser doado, mas quero ver se consigo devolver para as lojas o que comprei e não usei.”

Gislaine afirmou que chegou a se endividar para comprar o necessário para cuidar de sua futura filha. “Comprei cômoda, guarda-roupas, berço, prateleiras, carrinho e cadeirinha para colocar no carro. Não quero ficar com nada disso. A lembrança ainda é muito dolorosa.”

A costureira tem um filho de 12 anos de seu primeiro relacionamento. “Resolvi, depois de tantos anos, ter outro filho. Agora, não penso em nova gravidez. Quero me recuperar primeiro, tanto física quanto psicologicamente”, comentou.

Ela e o marido, o bombeiro Gilberto de Melo Cabreira, 32 anos, esperam por justiça. “O que aconteceu ceifou a vida de nossa filha. Isso não pode ficar sem punição. Isso não pode acontecer novamente”, disse Cabreira.

Entenda o caso

Gislaine foi internada no domingo (21) pelo médico com quem fez o pré-natal. Ela contou que pediu ao médico para que fizesse o parto, que estava previsto para segunda-feira (22). O médico informou que não estaria de plantão, mas, diante do pedido da mãe, disse que poderia fazer o parto.

O médico solicitado por ela foi chamado quando a paciente entrou em trabalho de parto, na noite de segunda-feira. Quando médico e paciente estavam no centro cirúrgico, na madrugada de terça-feira, outro médico invadiu o local e disse que, como o plantão era dele, não aceitaria que outra pessoa realizasse o procedimento.

Segundo a família, os dois começaram a discutir e chegaram a se agredir fisicamente. “Eu pedia para eles pararem de brigar e me ajudar. Uma das enfermeiras chegou a me proteger e me consolar, mas eu queria mesmo era a atenção médica no parto de minha filha”, disse Gislaine. Eles só foram retirados da sala por seguranças do hospital.

Um terceiro médico foi chamado para terminar de fazer o parto. A mãe foi levada para outra sala do hospital, mas a criança já havia morrido. O atestado de óbito informa que o bebê morreu de asfixia. A criança foi sepultada na terça-feira, no Cemitério Municipal de Ivinhema.

As informações são do Portal G1

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