Polícia

Tupinambás e fazendeiros se envolvem em novo conflito em Buerarema

Mais de 100 índios invadiram a Fazenda Serra da Palmeira, no município de Buerarema, sul da Bahia, na última sexta-feira (19), e quatro deles foram presos pela polícia.

Nesta quarta-feira (24), outros indígenas da mesma tribo – Tupinambá – ocuparam novamente a fazenda e houve troca de tiros com a PM, mas os índios conseguiram fugir. 

Segundo informações da TV Santa Cruz, policiais federais que estiveram na área disseram que foram atacados com pedradas e foi preciso usar gás lacrimogênio. Segundo os índios, a ocupação se deu depois de desentendimentos com fazendeiros.  

Os tupinambás entraram em confronto com trabalhadores rurais e produtores da fazenda Serra da Palmeira. Ao todo, de acordo com a PF, sete pessoas ficaram feridas no conflito – dentre elas o secretário de Agricultura de Buerarema, Hyperide Magalhães, mais conhecido como Pel, que levou dois tiros na mão.  

Os agricultores denunciam que foram torturados com pedaços de madeira e facas, e que só não foram mortos porque policiais federais chegaram ao local a tempo de impedir os homicídios. Há informação de que dois homens foram mortos no conflito, mas a polícia não confirma tal versão.  

Cerca de 50 índios ainda permanecem no local. Na região de Buerarema existem 16 propriedades ocupadas por tribos indígenas.  

Juiz contesta atuação da Funai  

O juiz da Comarca de Buerarema, Antônio Hygino, acusou a Fundação Nacional do Índio (Funai) de estimular o conflito entre tupinambás e produtores rurais na Serra do Padeiro, em Buerarema.  

Numa entrevista à TV Cabrália, o magistrado disse textualmente que a fundação “acoberta” os indígenas e observou que, antigamente, índios lutavam com arco e flecha. Hoje, utilizam armas de fogo. “E como essas armas chegam?”, questiona.  

Histórico  

A valorização da ascendência tupinambá foi inflamada pela possibilidade de demarcação das terras. Há dez anos, era raro encontrar alguém de cocar circulando por Ilhéus. Hoje, índios abordados para entrevista se apressam em “vestir a cultura”. Voltam paramentados com saiotes de palhas e cocares, feitos com penas de galinhas criadas em fundos de quintal ou de araras mantidas em zoológicos. Babau comprou um pavão. Pagou R$ 150 pelo bicho, que lhe dá penas o ano todo.  

“Eles conservam características tradicionais, como o uso de ervas medicinais, mas isso nem sempre é visível para o resto da sociedade. Quando o processo político de demarcação começou, os índios passaram a apelar para os estereótipos de índios de cocar”, diz a antropóloga Susana Viegas, da Universidade de Lisboa, uma das responsáveis pelo laudo antropológico que sustenta a demarcação.  

Com informações do Correio, do A Região, do Blog Pimenta na Muqueca e Revista Época.

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