Meio Ambiente

Soteropolitanos sofrem com temperaturas de até 33,5° no verão

O mês de março se aproxima e, com ele, chega ao final a temporada da estação mais quente do ano. O verão só acaba dia 22, mas as temperaturas elevadas devem permanecer até abril, período no qual o fenômeno El Niño se dissipa por completo.

“O menino”, que andou tímido na última ocorrência – registrada nos anos de 2006 e 2007 por estudiosos do clima – voltou a atacar em 2009 e 2010, também de forma branda e discreta. Ainda assim, as consequências não passaram despercebidas.

O ocorrência é o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, que se estende desde a costa oeste da América do Sul até a Linha Internacional de Data (LID), na longitude de 180°. Os efeitos, entretanto, podem ser notadas em todo o mundo. Por aqui, chuvas em nível reduzido contribuem para o aumento do calor.

“No Nordeste brasileiro, ocorre a redução da nebulosidade e, portanto, o aumento da incidência de raios solares”, explica o meteorologista do Instituto de Gestão das Águas e Climas (Ingá), Heráclio Alves Araújo.

Superior à média – Com a presença do El Niño, as marcas nos termômetros e a sensação térmica no verão aumentam ainda mais. Heráclio esclarece que a temperatura fica acima da média em torno de 1°. “O que é considerado um aumento razoável e significativo”, opina. 

Para a meteorologista Cláudia Valéria, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a variação em relação aos anos anteriores é muito pequena. “Eu acho exagero dizer que está tão quente assim. A gente sabe que não está tão elevada a ponto de as pessoas passarem mal, desmaiar”, declara. Ela acredita que a população se assusta porque, ao longo do ano, em Salvador, não existem grandes variações. “Neste mês, tivemos dias em torno de 33° e 33,5°. As pessoas estão acostumadas com 30°. Isso passa a ideia de que está mais quente do que os outros anos, mas não está”, reforça.

Cuidados – Heráclio Araújo explica que, durante o verão, o período de maior incidência dos raios solares é entre 10 e 15 horas. A exposição ao sol, nesses horários, deve ser cuidadosa. “As pessoas precisam se hidratar ainda mais. O calor contínuo pode causar desidratação pela transpiração”, diz o médico gastroenterologista Jecé Brandão.

O corpo pode reagir com sonolência, dor de cabeça e queda de pressão. “Esses sintomas de mal-estar definidos podem ser as primeiras sensações de uma pessoa exposta a uma temperatura muito elevada”, justifica.

Atitudes simples e eficazes podem prevenir tais reações. De acordo com Jecé, vale usar roupas leves e folgadas e permanecer o máximo possível de tempo em locais frescos e arejados, onde o ar possa circular. “Também é importante consumir líquidos. Beber água generosamente é uma atitude altamente preventiva”, recomenda.

Na casa de Tânia Bárbara Leite Souza, de 53 anos, a rotina muda com a chegada da estação do calor. “No verão, tudo aumenta. Conta de luz, conta de água, alimentação.  Temos um ar-condicionado e vários ventiladores. Com este calor, não dá para ficar sem”, conta a aposentada. Mãe de dois filhos e acostumada a receber sempre os amigos em casa, Tânia conta que todos evitam se alimentar com “comidas pesadas” e abusa dos líquidos. “Tomamos muita água e sucos. Eu tenho a impressão de que, a cada ano que passa, a cidade fica mais quente”, diz.

O meteorologista Heráclio Araújo explica que a redução da arborização e o aumento das edificações e pavimentações de asfalto em Salvador contribuem para que exista a sensação de desconforto e abafamento. “Desse jeito, a tendência é que fique cada vez mais quente”, conclui.

Cuidados com as altas temperaturas

1 – Beber água e líquidos naturais – como água de coco, sucos e caldos – contribui para hidratar o corpo e prevenir a diarreia, comum no verão.

2 – É importante usar filtro solar. Além de prevenir o câncer de pele, ele protege de queimaduras relacionadas à exposição ao sol. O uso deve ser constante.

3 – A atenção com crianças e idosos deve ser redobrada. Elas sentem mais calor e, por isso, devem usar roupas leves. Os idosos sentem pouca sede e precisam consumir líquidos com frequência, para evitar desidrataçã.

4 – Quanto maior o consumo de frutas, legumes e verduras, melhor. Gorduras animais devem ser evitadas.

Com informações do A Tarde

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