História

Canudos/Quixeramobim-CE – Antônio Conselheiro é revivido após 180 anos

Se estivesse vivo, Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, estaria completando 180 anos de vida neste sábado (13). Cearense de Quixeramobim, Conselheiro peregrinou pelo Nordeste até chegar a Canudos, em 1893. Ao se insurgir contra a República foi alvo de perseguições, tendo o desfecho na famosa Guerra de Canudos.

Nasce na Vila do Campo Maior de Quixeramobim, Província do Ceará, Antônio Vicente Mendes Maciel, nome de batismo daquele que mais tarde ficaria célebre como Antônio Conselheiro. Era filho de Maria Joaquina de Jesus e Vicente Mendes Maciel.   

Em 7 de janeiro de 1857 Antônio Vicente Maciel casa-se em Quixeramobim com Brasilina Laurentina de Lima. A partir desta época, muda constantemente de cidade e de profissão, sendo negociante, professor, balconista e advogado provisionado, ou advogado dos pobres. 

Em 1861, encontra-se em Ipu (CE), já com dois filhos, sua esposa inicia uma relação amorosa com um furriel (antigo posto entre cabo e sargento) da polícia local. Abatido, Antônio abandona tudo e se retira para a Fazenda Tamboril, dedicando-se ao magistério.  

Tempos depois, vai para Santa Quitéria (CE) e conhece Joana Imaginária, mulher meiga e mística que esculpia imagens de santo em barro e madeira e com ela teve um filho chamado Joaquim Aprígio.  

Com alma de andarilho, em 1865, Antônio parte novamente. Trabalhando como negociante de varejos, percorre os povoados da região e de 1869 a 1871 fixa-se em Várzea da Pedra, insistindo com os negócios, mas os fracassos comerciais e a provável influência do Padre Ibiapina levam-no a iniciar uma nova fase de sua vida, peregrinando por todo o Nordeste.  

Alto, magro, cabelos e barba crescidos, sandálias de couro, chapéu de palha, vestido sempre com uma túnica azul clara amarrada na cintura por um cordão com um crucifixo na ponta e um bastão na mão; esse era o Peregrino. Nascia o Antônio Conselheiro.  

Acusado de matar a própria e esposa, conselheiro finalmente foi libertado em 1876, em Quixeramobim.

 A Guerra de Canudos

Em 1893 Conselheiro chega à região de Canudos. Ocorre em Masseté (BA) o primeiro confronto armado entre o governo e os conselheiristas.

Em 1896 começa a guerra de Canudos.  

Em 05 de outubro de 1897, termina a resistência sertaneja, Canudos estava destruída. Num cenário de fim de mundo, por entre becos e ruelas, uma legião de corpos carbonizados se mistura com as ruínas e as cinzas das 5.200 casas. A elite política, acadêmica e militar do pais estava em êxtase…

Estima-se que mais de 25 mil conselheiristas morreram no conflito que mobilizou um contingente superior a 12 mil soldados do Exército (mais da metade de todo o efetivo nacional), na maior guerra de guerrilhas que o Brasil já viveu.

180 anos depois

Ao completar 180 anos de nascimento, é possível verificar mudanças na percepção e na apropriação das memórias sobre o beato. Canudos hoje é identificado como o maior movimento popular do Brasil, difamado e aniquilado por um Estado indiferente às mazelas que assolavam o sertão nordestino.

Por sua vez, Conselheiro é visto como um mobilizador de utopias, místico imbuído pela busca de uma comunidade devota e solidária, segundo os princípios dos primeiros cristãos. Com tal virada perceptiva, Antônio Conselheiro hoje pode ocupar o “status” de cidadão ilustre de Quixeramobim.

Por Evandro Matos, com informações do site da Portfolium e do Jornal Diário do Nordeste

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