Política

Acho que a Dilma cometerá um erro, diz Ciro

O deputado federal e ex-ministro Ciro Gomes (PSB), 52, é popular no Rio de Janeiro. Num táxi, discute com o motorista a filiação de Romário ao PSB e escuta, atento, a recomendação de lançar Zico, "que nem precisaria de campanha".

Com a verve nordestina típica e uma a truculência à mídia arrefecida –ou dominada depois de disputar duas campanhas à Presidência–, um Ciro Gomes “mais sereno”, como ele se auto-classifica, falou à Folha sobre a sucessão presidencial e em São Paulo.

A tal serenidade não impede Ciro de ser ácido. Ele admite que sua candidatura ao governo de São Paulo seria artificial. Defende que o PT e o PSB lancem no Estado dois candidatos ao governo. Só mesmo “se o mundo se acabar” e não tiver outro jeito, ele encararia a sucessão paulista. O PSDB paulista, afirma, amarga uma eficiência medíocre o o PT, dispara, “é um desastre” no Estado, por conta da crise de credibilidade após o escândalo do mensalão e do caso dossiê em 2006 –quando petistas negociaram a compra de um dossiê contra políticos do PSDB em meio à sucessão.

Com 12% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, Ciro se mantém candidato a Presidência e diz que age “em sintonia com Lula e com a direção do PSB”. Afirma que só ele teria condições, se eleito, de propor um diálogo entre o PSDB e o PT, a saída política para o país. E faz uma certa profecia: a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, cometerá algum erro na campanha, pois é a mais vulnerável e inexperiente entre os candidatos.

Veja alguns trechos:

Folha – O PT pretendia lançar o sr. no Estado.

Ciro Gomes – Eu fico muito honrado, distinguido com isso, mas veja bem: não é tão artificial essa solução não?

Folha – Então se o sr. for candidato ao governo de São Paulo será uma solução artificial?

Ciro Gomes – A minha candidatura naturalmente é artificial. Agora, o que eu posso fazer, eu poderia fazer –e tinha que ser sincero e franco com a população de São Paulo –era dizer: eu não faço rotina aqui, mas acumulei uma experiência de grande sucesso na administração pública, e essa experiência eu me disponho a colocar a serviço de São Paulo. Não é minha pretensão. Todo mundo sabe e eu repito que minha intenção é ser candidato à Presidência.

Folha – Circulam avaliações no meio político e uma delas é que o sr. está numa orquestração com o presidente Lula, agindo conforme interesses do Planalto para impedir que José Serra cresça. Seus movimentos são feitos em consonância com o presidente?

Ciro Gomes – Todos os movimentos que eu faço são em absoluta consonância com a direção do meu partido, o PSB, e com o presidente Lula.

Folha – Interessa ao presidente que o sr. se coloque neste momento candidato à Presidência?

Ciro Gomes – Se interessa a ele ou não eu não sei, mas até o presente momento tudo o que eu fiz está em absoluta sintonia com ele e com a direção do meu partido.

Folha – O sr. já sofreu uma oscilação fortíssima nas pesquisas em 2002. Todos os políticos não estão sujeitos a isso?

Ciro Gomes – Sim, isso eu acho. Acho que a Dilma cometerá um erro, porque nenhum de nós escapou. O Lula cometeu, eu cometi, o Serra, o Alckmin cometeu. Ela cometerá. Tomara que não. E vai oscilar. Ela é um pouco mais vulnerável, claro. Porque na medida em que você erra, você aprende. O Lula aprendeu para caramba, não é verdade? Eu aprendi muito. O Serra erra menos porque é protegido pela grande mídia.

Entrevista completa na Folha Online.

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