Política

“Ciro Gomes in Rio” um show que a grande mídia não quis assistir

Na noite de quinta-feira, dia 14, véspera da abertura do “Rock in Rio”, os jornalistas pareciam mais preocupados com o festival de música e não tiveram tempo para comparecer ao grande auditório da Associação Brasileira de Imprensa, que estava lotado no encerramento do “Ciro Gomes in Rio”, que começara quarta-feira no “bunker” artístico de Caetano Veloso e Paula Lavigne, depois prosseguira na manhã de quinta-feira na Fundação Getúlio Vargas.

TEM CHANCES – Na ABI, Ciro Gomes se apresentou bem, ao analisar as crises da economia e da política, mostrando que será um candidato com chances de chegar ao segundo turno, se conseguir fechar coalizões que ampliem seu espaço no horário gratuito e se conquistar parte do eleitorado do PT, depois que a candidatura de Lula for bloqueada na Lei da Ficha Limpa.

Justamente por isso, Ciro Gomes está sendo visto como uma ameaça por importantes organizações da sociedade civil, como os Institutos Liberal, Ludwig Von Mises, Liberdade, Millenium, Estudos Empresariais, assim como os grupos Cruzada, Endireita Brasil, Ternuma e Inconfidência, sem falar na influente Fundação Olavo de Carvalho.

MAIS VELHO – O polêmico político cearense é do tipo “ame-o ou deixe-o”, capaz de despertar paixões e ódios. Perto de completar 60 anos, está mais gordo e menos impetuoso. No evento da ABI, mostrou que será um adversário perigoso nos debates, caso perca a mania de citar números demais, que confundem o respeitável público, como dizem os artistas circenses. Este é seu lado negativo, o candidato precisa ser mais objetivo, direto ao ponto.

O lado positivo é que aprendeu a demonstrar bom humor e a fazer piadas de efeito, a partir de fatos políticos e econômicos. E na ABI o pré-candidato do PDT aproveitou o evento para anunciar um grande reforço à sua campanha, ao receber o apoio do economista Carlos Lessa e do consultor Darc Costa, que participaram dos debates e já estão trabalhando no programa de governo a ser apresentado na campanha. Ciro também está sendo apoiado pelo professor Fernando Peregrino (UFRJ/Coppe) e pelos influentes jornalistas Paulo Jerônimo e Jesus Chediac, vice-presidente e conselheiro da ABI.

LEMBRANDO 2002 – De volta para casa, após o evento, lembrei a eleição de 2002, quando o jovem Ciro Gomes era candidato pelo PPS e fazia uma campanha impetuosa. Num evento no Palácio do Catete, em lançamento de um livro de biografias de grandes vultos da Humanidade, escrito por Manoel Vidal, ex-Chefe da Polícia Civil, encontramos o jornalista Tom Thimóteo, principal assessor de Lula, que acompanhava o candidato petista na campanha pelo país.

Tom me perguntou sobre a eleição. Respondi: “Se não houver mudanças, Ciro Gomes ganha, porque é o único em viés de alta, com uma campanha muito consistente”. Tom insistiu: “E o Lula?”. Mas quem respondeu foi minha mulher, a jornalista Jussara Martins: “Lula não ganha porque é muito rancoroso. Demonstra muita sede de vingança, e isso ninguém aceita”. E acrescentou: “Lula é muito esculhambado, tem de botar um paletó nele”.

Parece incrível, mas foi assim que surgiu o “Lulinha Paz e Amor”, sorridente e conciliador, bem diferente do perfil antigo, depois aperfeiçoado em 24 de junho, a três meses da eleição, com o lançamento da apaziguadora “Carta ao Povo Brasileiro”.

15 ANOS DEPOIS – E lá estamos nós no evento da ABI, assistindo ao “Ciro Gomes in Rio”. Saímos antes do final e deixamos de comparecer à rodada de chope organizada por Darc Costa no tradicional bar Itahy, do outro lado da rua. Se tivéssemos ido, iríamos contar esse fato ocorrido em 2002. E Jussara certamente repetiria que, se Ciro não assumir esse lado Paz e Amor que o povo brasileiro adora, terá poucas chances de chegar ao segundo turno.

O fato concreto é que Ciro Gomes hoje está se equilibrando na corda bamba, tentando atrair os votos dos petistas, que não terão nenhuma chance com a candidatura de Fernando Haddad. Sua estratégia é acertada. Num determinado momento, Ciro critica o esquema de corrupção institucionalizado pelo PT e fustiga a incompetência de Dilma Rousseff, para mais adiante elogiar o acerto de determinadas políticas de Lula, como o combate à miséria, que teve bons efeitos na economia, especialmente nas áreas rurais.

Por fim, eu diria que, se Ciro Gomes continuar chamando de golpe a derrubada de Dilma, tudo dará errado e vai chegar em terceiro ou quarto lugar, como aconteceu em 1998 e em 2002. Dilma maquiou as contas públicas, desrespeitou a Lei de Responsabilidade Fiscal e se tornou indefensável. Não houve golpe. (Carlos Newton – Tribuna da Internet).

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