Eleições 2018

Governadores e diretórios pressionam e PSB deve fechar aliança com Ciro em até 15 dias

O ex-líder do PSB na Câmara, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), afirmou ao Estadão/Broadcast que a maioria do partido já se decidiu pelo apoio ao ex-ministro Ciro Gomes (PDT) nas eleições 2018, faltando apenas formalizar a aliança entre os dois partidos. De acordo com o parlamentar, a expectativa é de que todos os trâmites para anunciar formalmente o apoio sejam finalizados dentro dos próximos 15 dias.

Na última segunda-feira (25), o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, realizou uma sondagem com os presidentes de todos os diretórios estaduais da legenda e a maioria concordou que o melhor caminho seria seguir com Ciro. Em seguida, foi feita uma consulta aos cinco governadores. Embora o titular de São Paulo, Márcio França, seja declaradamente favorável ao alinhamento com o tucano Geraldo Alckmin, prevaleceu a proposta de endossar o pedetista.

Em reunião ocorrida nessa quarta-feira (28), os governadores também pressionaram o partido a unir forças com a candidatura de Ciro e deram como certa a aliança com o ex-governador do Ceará. A coalizão entre pessebistas e pedetistas ocorreu endossada pelo governador Márcio França (PSB), mas foi definida mesmo pelos caciques pernambucanos que se encontraram com o candidato nas últimas semanas. Entre eles, o vice-presidente nacional do PSB, Paulo Câmara, governador do estado, que se mostrou reticente sobre o movimento.

Para se aproximar mais ainda do partido em Pernambuco, nesta quarta-feira Ciro Gomes esteve com o governador Paulo Câmara e com  Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos e que tem grande influência da legenda no Estado. Ciro saiu contente com as conversas, reafirmando o desejo de firmar aliança com os socialistas.

Mas fechar com o PSB era uma tarefa a ser cumprida cuidadosamente, ainda mais depois que o partido anunciou um namoro discreto com os tucanos. O ex-governador de São Paulo e também candidato ao Planalto, Geraldo Alckmin (PSDB), disse até que subiria nos palanques de França para reeleição como governador. Foi Márcio França, aliás, que tratou de costurar o relacionamento dos pessebistas com Alckmin, rejeitado por parte dos filiados.

“O Márcio queria fazer coalizão com o Alckmin, mas não deu certo, eles não queriam ceder um vice. Essa conversa com Ciro parece ter deixado essa possibilidade mais aberta, mas quem definiu a aliança foi Pernambuco. São Paulo estava inclinado a continuar negociando, mas não dá mais tempo. Estamos em cima da hora. Não adianta dizer que o eleitor só vai se interessar pelo pleito em agosto”, detalhou um dos dirigentes do PSB.

Decisão da nacional e vice

Embora as consultas ainda tenham caráter informal, o deputado Júlio Delgado afirma que agora resta apenas submeter a decisão à Executiva Nacional e, em seguida, confirmar o acordo na convenção partidária. “Como os diretórios já concordaram, os governadores já concordaram e a Executiva já concordou, não há muito questionamento a ser feito”, afirmou Delgado, dizendo sempre ter sido contrário à ideia de apenas liberar os diretórios estaduais a se alinharem de acordo com interesses locais. “Infelizmente, não foi possível termos um projeto nosso. Mas também não faz sentido partir para o liberou geral. Até porque o PSB não tem vocação para ser MDB.”

Delgado confirmou também as negociações para que o PSB indique o vice de Ciro na eleição. Nesse caso, o partido trabalha com nomes como o de Márcio Lacerda, hoje pré-candidato do PSB ao governo mineiro. Na bancada pessebista, circula também o nome do deputado Luciano Ducci (PR) como sugestão para o posto de número dois na chapa.

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