Eleições 2018

Miguel Reale Júnior prega pacto contra Bolsonaro e Haddad

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já havia deixado uma pista. Na última quinta-feira, em uma carta aberta a “eleitores e eleitoras”, pediu “coesão política” sob pena do “aprofundamento da crise econômica, social e política” no país.

Sem citar nomes, fez referência ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que têm 28% das intenções de voto, segundo a última pesquisa Ibope, e ao candidato do PT, Fernando Haddad, com 22%. Ambos estariam em um provável segundo turno.

Depois da divulgação da carta, os presidenciáveis descartaram a hipótese propalada por FHC. Marina disse que não se convida “para tirar as medidas com a roupa pronta”. Meirelles (MDB) afirmou que “aceita”, caso Alckmin queira renunciar em favor de sua candidatura. Ciro Gomes (PDT) mencionou que “é mais fácil um boi voar de costas” do que uma renúncia em favor do tucano.

Em entrevista a ÉPOCA, o jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, que endossa a proposta de FHC, forneceu mais detalhes do plano. Segundo ele, uma renúncia coletiva em favor “de um só candidato” — com o uso do tempo de TV e da propaganda eleitoral no rádio para direcionar eleitores em favor de uma só candidatura na última semana antes do primeiro turno — não está tão distante assim.

No fim de semana, Reale Júnior assinou o manifesto “Democracia, sim”, que reúne mais de 300 artistas, intelectuais e personalidades de várias visões políticas contra o candidato do PSL, Jair Bolsonaro. O jurista conversou também sobre o manifesto, que angariou mais de 180 mil assinaturas virtuais em dois dias. Confira a entrevista:

Como o senhor foi convidado para assinar o manifesto contra Jair Bolsonaro?

É um grupo de conhecidos, intelectuais, não tem ninguém específico…

Esse convite aconteceu por telefone por WhatsApp, como foi?

Vieram vários convites, não é? Vários convites, tanto por WhatsApp como por telefone, vieram vários, vários movimentos de educação, de educação civil e também colegas universitários, professores, são várias vertentes. Até se vê pela multiplicidade, pela pluralidade, que as pessoas que compõem esse manifesto são membros da academia paulista. É bem amplo, não é? Pessoas que compõem um espectro político bem amplo, que vai da esquerda a um centro democrático.

Por que o senhor topou participar desse movimento? O PT seria uma solução ante Bolsonaro?

Eu fiz crítica ao Bolsonaro no impeachment. Por enquanto não sou obrigado a ficar nessa escolha de Sofia, sou favorável a uma união do centro democrático. Estou trabalhando até para que exista uma união dos cinco e uma candidatura única, acho que ainda há espaço para isso acontecer. Fiz crítica ao Bolsonaro na primeira fala no Senado, escrevi três artigos recentes contra ele. Aliás, meu primeiro artigo sobre Bolsonaro chama-se “ A volta da ditadura pelo voto”. Lá atrás, antes de todo esse movimento, eu já anunciava o perigo. Faz três ou quatro meses que escrevi. Quem escreve um artigo desse não poderia deixar de assinar o manifesto. Não tem nada a ver com o PT.

O candidato do PT, Fernando Haddad, está em segundo lugar, atrás de Bolsonaro nas pesquisas, e tudo indica que pode concorrer com o capitão da reserva em um provável segundo turno. Haddad pode ser uma opção melhor que Bolsonaro em sua visão?

Por enquanto, para mim não. Minha opção é ainda uma candidatura de centro que possa reunir os cinco candidatos. Ainda acho que há espírito público suficiente para que haja convergência de candidatos em nome de um candidato só.

Como seria isso?

Estou trabalhando nisso, no sentido de que exista uma união de candidatos para sem que eles não renunciem, mas dirijam seus eleitores a um candidato só. E que se forme uma espécie de pacto. Pacto de governo. Pacto de concertação.

Esses cinco candidatos, quem seriam?

Meirelles, Alckmin, Marina, Amoêdo e… tá faltando… Alvaro Dias. Eles convergiriam em torno de um só no primeiro turno. Para ganhar a eleição no primeiro turno.

Essa chance é quase nula, não?

Não é assim tão nula quanto você pode imaginar.

Como poderia acontecer?

Está acontecendo. Está acontecendo. Não posso dar detalhes.

O que o senhor espera ao assinar o manifesto “Democracia, sim”?

Esse manifesto pode alertar as pessoas. Apenas um alerta. Acho que isso também pode gerar também, em face de um fato novo como esse de uma convergência para uma candidatura única do polo democrático, essa candidatura.

Essa candidatura seria de um dos cinco?

De um dos cinco, lógico. É um candidato só, mas um governo dos cinco. Eles convergem os votos para um só, pedem que se vote em um só. Antes do dia 7 de outubro, por meio da televisão e do horário eleitoral.

Isso está acontecendo?

Está se falando sobre isso. Está havendo reuniões sobre isso.

O senhor poderia dar mais detalhes?

Não, não. Não posso.

Qual seria o escolhido?

Não tem candidato ainda.

Isso tudo para combater Bolsonaro?

Para combater os dois [Bolsonaro e Haddad]. Contra os radicalismos. Radical também é o Haddad. Radical também é o PT que aparelhou o Estado. Que estabeleceu a corrupção sistêmica. É uma outra forma de corporativismo estatal, que estabeleceu a corrupção generalizada no país. É radicalismo também. Já existe, aliás, um movimento que se chama “Não aos extremos”. Voto mais que útil. Isso está acontecendo.

Nota da assessoria da campanha de Marina Silva

A assessoria da campanha de Marina Silva foi procurada na última quinta-feira (20) por pessoas ligadas ao jurista Miguel Reale Júnior com vista a um encontro com os candidatos Álvaro Dias e João Amoêdo. Os contatos entre assessores prosseguiram até o domingo (23), quando foi informado que os candidatos Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles também participariam. Diante do novo contexto, ainda no domingo, a assessoria de Marina Silva declinou do convite e sequer participou de reunião nesta segunda-feira. (Correio Braziliense).

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