Política

Estratégia do advogado de Queiroz é mantê-lo foragido, sem prestar depoimento

As investigações do chamado caso Fabricio Queiroz, sobre os funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, antes de ser eleito senador em 2018, se tornaram uma ameaça para os gabinetes dos demais integrantes do clã, inclusive o agora presidente Jair Bolsonaro, ao tempo em que era deputado federal.

Para o andamento do inquérito, é fundamental que haja o depoimento do ex-assessor Fabrício Queiroz, que comandava o esquema do gabinete de Flávio Bolsonaro e está desaparecido junto com toda a sua família – mulher e filhas.

HISTÓRICO – No dia 18 de dezembro de 2018, o advogado Cezar Tanner comunicou ao Ministério Público do Rio que estava deixando a defesa de Fabricio Queiroz, o antigo amigo de Polícia Militar. Naquela altura, o nome de Queiroz já era conhecido em todo o País após o Estadão revelar, no início daquele mês, que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro aparecia em um relatório do Coaf com uma movimentação bancária de R$ 1,2 milhão considerada atípica.

No lugar do coronel da reserva que já havia comandado batalhões e até a corregedoria da PM fluminense antes de enveredar para a advocacia, assumiu o advogado carioca Paulo Klein, conhecido no meio jurídico pelas atuações nas defesas do ex-procurador Marcelo Miller no caso JBS, do doleiro Dario Messer, e de outros réus e investigados da Operação Lava Jato no Rio.

Desde então, Queiroz sumiu e concedeu uma única entrevista à imprensa (SBT) dizendo que fazia dinheiro com compra e venda de carros, faltou a quatro depoimentos no Ministério Público alegando problemas de saúde e enviou, por escrito, sua versão aos promotores afirmando que recolhia parte do salário dos funcionários do gabinete para contratar assessores externos informais para alavancar o desempenho eleitoral de Flávio. Tudo isso com o consentimento dos colegas, mas sem o conhecimento do ex-chefe.

SEM ILEGALIDADE – Em entrevista ao Estadão, Paulo Klein afirma que não há ilegalidade no expediente utilizado por Queiroz e que ainda não forneceu a relação dos assessores informais que teriam sido contratados por ele por “estratégia técnica da defesa”.

Segundo ele, o ex-assessor de Flávio está em São Paulo fazendo tratamento contra um câncer no intestino – ele fez uma cirurgia para retirar o tumor em 1.º de janeiro – e vai dar explicações ao Ministério Público assim que for liberado pela equipe médica.

Klein diz ainda que a movimentação financeira de Queiroz detectada pelo Coaf condizia com os rendimentos dele à época e que o caso só ganhou repercussão por causa da relação dele com a família Bolsonaro.

SEM ESCÂNDALO – “Isso ganhou contorno de escândalo, mas, se a gente olhar com lupa, não tem escândalo nenhum”, disse o advogado, enquanto Flávio Bolsonaro acrescentou ao Estadão que todos os mandatos dele na Alerj foram pautados pela legalidade e pela defesa dos interesses da população.

“Os inúmeros erros cometidos pelo Ministério Público comprovam o que tenho dito desde que deram início a essa campanha caluniosa: não pratiquei qualquer ato ilícito. Pela quantidade de falhas e erros, os procuradores sabem que esse processo não tem futuro na Justiça e, por isso, vazam trechos da investigação para induzir o público a uma conclusão equivocada. O Ministério Público errou ao abordar as transações imobiliárias e divulgar valores que não condizem com a realidade”, disse, acentuando:

“O MP errou ao falar do patrimônio do senador; errou ao quebrar o sigilo de pessoas que não tinham qualquer relação com o parlamentar; errou em cálculos que envolviam saques, depósitos e em cálculos de remuneração. Essas falhas deixam evidente que os ataques e acusações contra o senador não passam de campanha política disfarçada de investigação. A verdade prevalecerá”.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGTodos querem saber a verdade, mas o ex-assessor Fabricio Queiroz sumiu e não dá sinal de vida. Seu advogado Paulo Klein precisa responder a  uma pergunta que não quer calar: “Quem está pagando os honorários do escritório de advocacia, que é um dos mais caros do Rio de Janeiro em questões criminais? O povo quer saber.

Caio Sartori, Fabio Leite, Marcelo Godoy e Matheus Lara/ Estadão

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