História

Reflexão de Antonio Olavo: “Salve o Agosto da Revolta dos Búzios”

Animai-vos, Povo Bahiense / Que está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade / O tempo em que todos seremos irmãos / O tempo em que todos seremos iguais’.

No próximo 8 de novembro, completa-se 220 anos da morte dos quatro Mártires da Revolta

No final do século XVIII, na cidade do Salvador, Capitania da Bahia, homens e mulheres, negros e negras, influenciados pelos ideais iluministas da Revolução Francesa, planejaram um Levante que pretendia derrubar o governo colonial, proclamar a independência de Portugal e implantar uma República democrática, livre da escravidão, onde haveria “igualdade entre os homens pretos, pardos e brancos”. Esse movimento eclodiu na madrugada de domingo, 12 de agosto de 1798, quando surgiram afixados em vários pontos da cidade, papéis manuscritos que em nome do “Poderoso e Magnífico Povo Bahiense Republicano”, anunciavam uma Revolução. 

O movimento revolucionário baiano de 1798 é um desses momentos de insurgência negra que merece um reconhecimento nacional, visto que já naquela época, em pleno regime colonial, os conspiradores negros levantaram as bandeiras da independência, que só viria em 1822; do fim da escravidão, conquistada somente em 1888; e da República, proclamada tardiamente em 1889.

No próximo 8 de novembro, completa-se 220 anos (1799-2019) da morte dos quatro Mártires da Revolta: Luiz Gonzaga, Lucas Dantas, João de Deus e Manoel Faustino, que após serem enforcados na Praça da Piedade,  tiveram seus corpos esquartejados e as partes penduradas em postes e espalhados pela cidade. Neste 8 de novembro na Bahia, clamamos por um Dia Nacional em Memória dos Mártires da Revolta dos Búzios. 

Continuamos lembrando que junto a estes quatro mártires negros, temos o dever de consciência de acrescentar o nome de outro líder da conspiração: Antonio José, que foi preso em 28 de agosto de 1798 e no dia seguinte encontrado morto em sua cela, envenenado pela comida que lhe mandaram servir. Antonio José, portanto, é o quinto mártir da Revolta dos Búzios. 

Cineasta Antonio Olavo tem trazido para reflexão do público fatos históricos da Bahia

Nesses tempos sombrios em que vivemos, onde o Desgoverno Bolsonaro busca entre tantos outros desatinos, também apagar nossa memória histórica, que venha o AGOSTO, trazendo com ele, mais e melhores ventos de LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE.

De nossa parte, continuaremos a jornada de exibições do filme 1798 REVOLTA DOS BÚZIOS: Dia 6 (Colégio Ipiranga), dia 12 (Sociedade Protetora dos Desvalidos – SPD), dia 16 (Colégio Aliomar Baleeiro) e dia 18 (ICBA – Mostra Itinerante de Cinemas Negros Mahomed Bamba). (Antonio Olavo).

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