Política

Polícia Federal se une em torno de Moro e faz Bolsonaro recuar da tentativa de intromissão

O presidente Jair Bolsonaro recuou quanto à possibilidade de não aceitar a indicação do superintendente da Polícia Federal (PF) em Pernambuco, Carlos Henrique Oliveira, para o comando da Superintendência da PF no Rio de Janeiro. Depois de ter dito que, para fazer isso, o diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo, teria que conversar com ele, mudou o tom e disse que “se vir o de Pernambuco não tem problema, não”.

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A mudança na postura aconteceu em pouco menos de quatro horas. Por volta das 8h26, quando começou a responder questionamentos da imprensa na saída do Palácio da Alvorada, nesta sexta-feira (16/8), em uma conversa que durou quase 23 minutos, Bolsonaro declarou que “quem manda é ele” e que a Superintendência da PF no Rio de Janeiro seria exercida pelo atual superintendente do Amazonas, Alexandre Silva Saraiba — apesar de uma nota da PF afirmar que o chefia seria exercida por Oliveira.

MUDANÇA DE RUMO – No Palácio do Planalto, após solenidade de celebração do Dia Internacional da Juventude, voltou a conversar com a imprensa, por volta das 11h55. Na ocasião, recuou ao ser questionado sobre a sucessão da Superintendência da PF no Rio. “Se vir o (superintendente) de Pernambuco (Oliveira), não tem problema, não. Acho que ele vai pro exterior, o que estava lá (no Rio, Ricardo Saadi). Tanto faz para mim. Eu sugeri o de Manaus, mas, se vir o de Pernambuco, não tem problema não”, declarou.

As sinalizações de interferência na PF não são um problema para Bolsonaro. Questionado sobre a autonomia da instituição, retrucou que, em governos anteriores, havia loteamento político. “Eu olho nome superficialmente de todos. Isso era loteado no passado. Me admira tua pergunta, isso era loteado por partidos políticos. Mudou isso aí. Tenho, como chefe, comandante, tenho que saber o que acontece, qual o perfil das pessoas, com quem já estiveram ligadas no passado. Todas as instituições têm problemas, até o Exército tem uns probleminhas, de vez em quando aparece”, disse.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O fato concreto é que o presidente, pela primeira vez, teve de engolir a reação da Polícia Federal e do ministro Moro. De repente, Bolsonaro foi obrigado a entender que pode muito, mas não pode tudo e a caneta Bic às vezes nada significa. O presidente está tentando sepultar as investigações sobre o filho Flávio e o ex-assessor Fabricio Queiroz, mas não vai conseguir. Desde a Lava Jato este país está mudando. A trama de Dias Toffoli e Gilmar Mendes para liquidar a Lava Jato e soltar Lula, com apoio de Bolsonaro, Rodrigo Maia e tutti quanti, não vai dar resultados. Podem apostar. (C.N.)

Rodolfo Costa/ Correio Braziliense

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