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Trump diz que matou general do Irã para “parar uma guerra, e não para começar uma”

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que ordenou a execução do general americano Qassem Soleimani “para parar uma guerra, e não para começar uma guerra”.

Charge do Fraga (Arquivo Google)

“Soleimani estava planejando ataques iminentes e sinistros a diplomatas e militares americanos, mas nós o pegamos em flagrante e acabamos com ele”, disse Trump, sem especificar a quais ataques se referia, a repórteres em seu resort em Mar-a-Lago. “Agimos na noite passada para parar uma guerra. Não agimos para iniciar uma guerra”.

Trump acrescentou que os Estados Unidos não “buscam  uma mudança de regime no Irã”, alegando que Soleimani “fez da morte de pessoas inocentes sua paixão doentia”, acrescentando, sem especificar ao que se referia, que ataques comandados pelo iraniano afetaram as pessoas “em lugares tão distantes quanto Nova Délhi e Londres”.

REINADO DE TERROR — “Podemos nos confortar sabendo que seu reinado de terror acabou” — disse Trump, e depois afirmou que a tentativa de invasão da embaixada americana em Bagdá, na terça-feira, aconteceu “por ordens de Soleimani”, acrescentando que o Irã “precisa parar de desestabilizar a região” por meio de seus aliados.

O presidente começou a entrevista com uma ameaça aos “inimigos dos Estados Unidos”, ao dizer: “Nós o encontraremos. Nós o eliminaremos. Sempre protegeremos os membros do serviço americano” — disse Trump.

EX-EMBAIXADOR DOS EUA CONSIDERA UM “ATO DE GUERRA”

Em entrevista à revista New Yorker, Douglas Silliman, ex-embaixador americano no Iraque, disse que o assassinato de Soleimani foi um ato de guerra, equivalente ao Irã matar, por exemplo, o comandante das operações militares dos EUA no Oriente Médio e Sul da Ásia.

O assassinato de Soleimani foi um ato de guerra (Foto: AFP)

O ataque americano aconteceu três dias depois que manifestantes pró-Irã e integrantes das Forças de Mobilização Popular (FMP) do Iraque tentaram invadir a Embaixada dos Estados em Teerã, em um protesto contra bombardeios americanos que no domingo mataram 25 integrantes de uma de suas milícias, a Kataib Hezbollah. Os bombardeios, segundo Washington, ocorreram em represália a um ataque do grupo que matou um funcionário terceirizado em uma base dos EUA na cidade iraquiana de Kirkuk.

COALIZÃO XIITA – As FMP são uma coalizão de grupos xiitas criados para combater o Estado Islâmico no Iraque e que foram posteriormente incorporadas às forças de segurança do país. No combate ao EI, esses grupos e as tropas americanas no Iraque lutaram lado a lado.

As tensões entre Washington e Teerã aumentaram no último ano, depois que o governo Trump se retirou unilateralmente em 2018 do acordo nuclear assinado entre o Irã e as principais potências globais em 2015. Ao retomar as sanções econômicas contra Teerã, os EUA impuseram ao país persa um prejuízo de US$ 200 bilhões em exportações e investimentos perdidos, disse nesta semana o presidente iraniano, Hassan Rouhani. (Fonte: O Globo).

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