Cultura

Celebração pelos 190 de Antonio Conselheiro começa nesta sexta-feira, 13, em Salvador e Canudos

Começa nesta sexta-feira (13) e se encerra no sábado (14) a celebração pelos 190 anos de nascimento de Antonio Conselheiro, líder da construção de Canudos (Belo Monte), no sertão da Bahia, no final do século XIX. O evento, com uma vasta programação durante os dois dias, acontece concomitantemente em Salvador e Canudos.

Card para divulgação do evento em Canudos e Salvador (Arte: Raimundo Laranjeira)

Em Salvador, as atividades começam a partir das 9h desta sexta, no Museu Eugênio Teixeira Leal (Pelourinho), com uma Mesa de Abertura formada por Eliene Bina, Luiz Paulo Neiva, Manoel Neto, Sérgio Guerra e Antonio Olavo. Logo em seguida haverá uma homenagem aos estudiosos canudenses; lançamento do Almanaque do Sertão; conferência sobre a “Religiosidade Popular no Sertão da Bahia”, com o historiador Miguel Teles; e Comunicação – Universidade Livre de Canudos.

À tarde acontece a Conferência “190 anos de Antonio Conselheiro”, com o Professor e historiador Sergio Guerra. Ainda no dia 13, às 17h, acontece o encerramento poético-musical com José Américo, Fabio Paes, Roze e Zé Costa.

Celebrações em Canudos

Também no dia 13, em Canudos, a cerca de 405 km de Salvador, das 8h às 12h, acontecem celebrações nas escolas públicas e privadas do município; das 14h às 17h atividades culturais no Memorial Antonio Conselheiro; e, às 19h, Sessão Especial na Câmara de Vereadores.

Homenagem a Conselheiro, às margens do Açude Cocorobó, em 1988 (Foto: Antonio Olavo)

No dia 14, das 8h às 11h, as atividades começam com uma visita orientada ao Parque Estadual de Canudos; às 15h, no Memorial Antonio Conselheiro, acontece a Mesa Redonda “Evocações a Antonio Conselheiro”, com as professoras Maria Betânia Carvalho e Josileide Valença, além do cineasta Antonio Olavo.

Depois tem lançamento do Almanaque do Sertão, do jornalista Evandro Matos, e música ao vivo com artistas da região.

História de Conselheiro

No dia 13 de março de 1830, em Quixeramobim (CE), nascia Antonio Vicente Mendes Maciel, que mais tarde ficaria célebre em todo sertão nordestino como Antonio Conselheiro. Em junho de 1893, depois de peregrinar por mais de 20 anos pelo interior do Ceará, Pernambuco, Sergipe e Bahia, construindo aguadas, igrejas e cemitérios, Conselheiro fundou no sertão da Bahia, numa antiga fazenda chamada Canudos, o povoado de Bello Monte, onde a terra era para quem quisesse trabalhar e não havia fome, nem patrão nem empregado.

Antônio Conselheiro morto, em sua única foto conhecida, tirada por Flávio de Barros no dia 6 de outubro de 1897.

Cansados de viver numa situação de opressão, o povo sertanejo afluiu em massa para Bello Monte, transformando-a em quatro anos na segunda maior cidade da Bahia, com milhares de habitantes. Esse enorme crescimento desagradou as elites fundiárias, a igreja tradicional e o governo republicano, que promoveram uma guerra contra os bellomontenses que durou um ano, mobilizando mais de 12 mil soldados do exército, vindos de 17 estados brasileiros e distribuídos em 4 expedições militares.

Antonio Conselheiro morreu em 22 de setembro e a resistência canudense durou até 5 de outubro de 1897, quando houve o encerramento das operações militares deixando o povoado completamente destruído e quase todos seus moradores mortos. Os homens aprisionados foram degolados e as mulheres e crianças degredadas e escravizadas, muitas delas submetidas a maus tratos e a prostituição. Pintura retratando Canudos antes da guerra.

“Neste ano de 2020, estamos celebrando os 190 anos de nascimento de Antonio Conselheiro, grande líder negro, que durante a monarquia pregou contra a escravidão e a República, que não distribuiu a renda nem a terra, não democratizou o poder político e nem reduziu as desigualdades, agregou o povo negro numa comunidade cuja própria gênese desafiava o poder vigente, e por isso foi brutalmente destruída”, disse Antonio Olavo, um dos organizadores do evento.

“Salve, salve, Antonio Conselheiro! detentor de uma trajetória de vida que o coloca como um dos mais importantes vultos da história do Brasil”, acrescentou Olavo.

 

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