Política

Faroeste: Genro de Walter Pinheiro recebia propinas em shoppings, no TRE e no CAB

O Ministério Público Federal (MPF), em nova denúncia relativa às investigações da Operação Faroeste, nas fases seis e sete deflagradas nesta segunda-feira (14), detalhou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a participação de cada um dos acusados nos crimes de venda decisões judiciais, tendo sido decretadas prisões de duas desembargadores, um servidor da corte e cumpridos mandados de busca e apreensão contra magistrados, secretários de Estado, advogados, membros do MP-BA e empresários.

Um dos advogados envolvidos na nova denúncia é Marcelo Junqueira Ayres, que é ex-juiz do TRE-BA e genro do secretário de Planejamento do Estado e ex-senador, Walter Pinheiro.

Um dos advogados envolvidos na nova denúncia é Marcelo Junqueira Ayres, que é ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) e genro do secretário de Planejamento do Estado da Bahia e ex-senador, Walter Pinheiro. Ele é acusado pelo MPF de ser o operador financeiro da desembargadora Ilona Márcia Reis, que teve a prisão temporária decretada pelo ministro Og Fernandes, do STJ. A mulher dele, Juliana Pinheiro, que não está envolvida na denúncia da PGR, exerce cargo de atendente judiciário no gabinete da desembargadora Maria de Lourdes Pinho.

Ao todo, conforme documento que se baseou em delação do também advogado Júlio César Cavalcanti, Marcelo teria intermediado o recebimento de mais de R$ 2 milhões em propina por venda de decisões da magistrada Ilona Reis. No entanto, em relação a ele, foi detectada movimentação suspeita de R$ 98 mil, no período de 12 meses, “com a realização de saques em espécie de forma fracionada, que podem indicar a intenção de ocultar o real destino dos recursos”.

O advogado foi um dos alvos dos mandados de busca e apreensão, solicitados pelo MPF, sob o argumento de que os “envolvidos nesse microssistema criminoso de decisões administrativas anuladas e posteriormente reavivadas, liminares concedidas e posteriormente cassadas e documentos adulterados” (…) poderão garantir a localização e apreensão de variada documentação, fortalecendo ainda mais a matriz investigatória”.

“Em relação aos investigados Ilona Reis e Marcelo Junqueira, a Ação Controlada entabulada pela Polícia Federal conseguiu captar as manobras daquela com adiamentos dos seus julgamentos e mudanças de entendimento, para obstar a descoberta da verdade, ao passo que aquele adotou atitudes similares às comumente verificadas em organizações criminosas voltadas ao tráfico de entorpecentes e/ou assaltos, cuja única resposta para sucesso da investigação é a prisão”, escreveu a Procuradoria Geral da República, em pedido que, para Marcelo, foi negado pelo ministro Og Fernandes.

“Apesar de existirem vários fatos supostamente criminosos associados a eles, entendo que, em sua maioria, são despedidos de contemporaneidade e representam narrativas que, nesse momento processual, ainda possuem lacunas a serem preenchidas, o que justifica a necessidade de aprofundamento de apuração criminal, sem prejuízo de posterior análise de medida cautelar mais restritivas”, argumentou o magistrado.

Pagamentos
Em colaboração premiada homologada pelo STJ, o advogado Júlio César Cavalcanti, que foi alvo da quinta fase da Operação Faroeste, afirmou à PGR que Marcelo Junqueira Ayres, como operador da desembargadora Ilona Márcia Reis, recebia os valores referentes à venda de decisões em diversos locais da capital baiana, como estacionamento de shoppings e até a sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA), no Centro Administrativo.

Um dos encontros no TRE-BA aconteceu mesmo após já terem sido deflagradas as primeiras fases da Operação Faroeste, em 27 de janeiro de 2020, quando a Polícia Federal observou Júlio César entrar em um carro de propriedade de Marcelo, uma BMW X5. “O encontro durou, aproximadamente, 11 minutos, tendo iniciado às 10h:48min e finalizado às 10h:59min”, diz trecho da denúncia da PGR.

E continuou: “Teria sido recordado no encontro que já houve o pagamento da importância de R$ 200 mil, entregues em 13/11/2019 ao próprio Marcelo Junqueira, no estacionamento G1 do Shopping Salvador”, como quitação por uma decisão favorável em uma ação do TJ-BA sob responsabilidade da desembargadora Ilona Reis. Como pendência, segundo a delação de Júlio César, teria restado o montante de R$ 500 mil que seriam pagos após o êxito do processo.

A PGR comparou o esquema criminoso supostamente chefiado pela desembargadora Ilona Márcia Reis à “atuação das máfias descritas na literatura mundial”. A reportagem tentou contato com o advogado Marcelo Junqueira Ayres, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. (Fonte: Bocão News).

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