Política

Bolsonaro ameaça com ditadura, mas Mourão defende democracia

No contexto em que dirigiu aos governadores sobre a questão do isolamento, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que este é um problema muito sério e o momento acentua que é muito fácil impor uma ditadura no Brasil. O assunto é focalizado no O Globo desta sexta-feira, dia 12, na reportagem de Ana Letícia Leão, Daniel Gullino, Gustavo Schmitt, Julia Lindner, Paula Ferreira e Paulo Cappelli.

Declarações de Bolsonaro com ameaças vem lhe acarretando grande desgaste

As declarações do presidente da República tiveram o tom de ameaça, chocando-se com o pronunciamento do general Hamilton Mourão, em matéria de Gustavo Uribe e Leandro Colon, na Folha de São Paulo de quinta-feira. O vice-presidente afirmou que se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vencer as eleições presidenciais de 2022, não há risco de ruptura institucional, pois o povo é soberano.

DIVERGÊNCIAS – As posições, portanto, se chocam e dão margem a que se analise o episódio como uma divisão entre correntes militares situadas em torno do Palácio do Planalto. As divisões de correntes militares, sobretudo no Exército, não constituem uma novidade histórica, já que, em épocas recentes, verificou-se um marco divisório entre as forças vitoriosas do 24 de agosto de 1954 e as correntes lideradas pelo general Henrique Teixeira Lott, em 11 de novembro de 1955.

O movimento desencadeado por Teixeira Lott, garantiu a posse de JK na Presidência da República. Posse ameaçada pela campanha de Carlos Lacerda, então líder da UDN, que desejava impor um corte democrático sobre o argumento de que era para desintoxicar o país.

Bolsonaro faz ameaças à democracia brasileira

O movimento político militar de 11 de novembro foi chamado de retorno às lides constitucionais vigentes. Mais tarde, Henrique Teixeira Lott disse que apenas foi o toque da ponta da espada para restabelecer as engrenagens democráticas.

APOIO DO GRUPO DA TROPA – As divisões do Exército viriam a se desenrolar também após o desfecho de 31 de março de 1964. Castelo Branco pertencia a uma corrente na qual se integravam, por exemplo, Roberto Campos e Golbery do Couto e Silva. Seu sucessor, Costa e Silva, tinha forte apoio do grupo da tropa.

Castello Branco era considerado um intelectual. Costa e Silva, que foi atingido por um derrame cerebral, fez Médici o seu sucessor, estabelecendo-se uma divisão entre o grupo de Castelo e o grupo do Ato Institucional nº 5. A linha de Castelo Branco retornaria ao poder militar em 74 com Ernesto Geisel. Golbery voltava ao Palácio do Planalto. Roberto Campos foi nomeado embaixador em Londres.  

Depois de Geisel, João Figueiredo, que tinha apoio das duas faces verde-olivas. Campos continua em Londres. Golbery permaneceu na equipe do Planalto.

RUPTURA – No momento é muito difícil uma ruptura institucional, principalmente depois da vitória de Joe Biden nos Estados Unidos. O próprio Bolsonaro foi eleito pelo voto popular e não tem condições reais para romper com o eleitorado brasileiro. Agora, com a decisão do ministro Edson Fachin, seu adversário nas urnas de 2022 será Luiz Inácio Lula da Silva.

As posições, sobretudo as verbalizadas por Bolsonaro, vem lhe acarretando grande desgaste. Há nitidamente uma ausência de projeto de governo. Até hoje, não se conhece um planejamento sequer. O orçamento para 2021, por exemplo, ainda não foi votado. O panorama é este e os votos de 2022 vão decidir a sucessão presidencial. (Pedro do Coutto / Tribuna da Internet).

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