Nordeste

Mais de 500 médicos cearenses assinam manifesto contra Bolsonaro

Grupo com 553 médicos cearenses lançou manifesto na noite desta terça-feira, 16, contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a condução da pandemia do governo federal. Os profissionais, autointitulados em defesa da vida, da Ciência e do Sistema Único de Saúde (SUS), consideram que sem uma “grande mudança” a situação seguirá piorando. Mais cedo, outro grupo da categoria se posicionou a favor do presidente.

Durante parte do primeiro semestre de 2020, o presidente deu declarações minimizando a Covid-19, chegando a aparecer em público com uma caixa de cloroquina. (Foto: MATEUS BONOMI/AGIF/AE)

O médico-cirurgião Ramon Rawache, integrante do Coletivo Rebento, ressaltou que a decisão de elaborar o manifesto veio da necessidade de mostrar para as pessoas que existe uma corrente de médicos que defende a Ciência e pensam “exatamente o contrário” dos que defendem Bolsonaro. “A gente se assusta, porque nossa formação acadêmica é baseada na Ciência, mas por outro lado a gente não se admira, porque esse percentual está na sociedade como um todo”, enfatizou.

“Em vez de vacinação, falam de ivermectina e cloroquina. Em vez de incentivar a prevenção e de salvar vidas, fazem chantagem com a falsa dicotomia “vida ou trabalho”, promovem carreatas ilegais e “fake news”. Falta respeito à saúde pública e a cada cidadão”, afirma o documento.

Entre os médicos, integram a lista de opositores o ex-reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Henry Campos, a militante Helena Serra Azul, a chefe da Divisão Médica da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, Zenilda Bruno, e a secretária executiva de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos da SPS, Lia Gomes.

Os médicos ainda pedem que o presidente seja responsabilizado por sua conduta durante a pandemia. O procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou no mês passado que abriu nove procedimentos preliminares que miram a atuação do chefe do Executivo federal durante a pandemia. Ele vem sofrendo pressão para investigar mais a fundo a responsabilidade das autoridades do governo federal durante a pandemia.

“São inúmeras as declarações do presidente Bolsonaro em desrespeito aos profissionais de saúde, às vítimas da Covid-19 e aos seus familiares. De ‘não sou coveiro’ à ordem para ‘invadir e filmar hospitais’. De ‘deixem de mimimi’ até a lamentação pela aprovação da vacina”, diz o documento.

O grupo também apoia iniciativas de governadores e prefeitos para adquirir as vacinas diretamente, sem intermediação da gestão federal. Eles consideram que a aquisição de imunizantes, antes comandada pelo general Eduardo Pazuello e agora liderada pelo médico Marcelo Queiroga, enfrenta “absoluta lentidão”.

“O que a gente tem de tratamento é a prevenção, que se faz com isolamento social, uso de máscara, lavagem de mãos e vacinação. É preciso cobrar essa vacinação, pressionar os governantes para que as doses saiam. A Ciência não tem lado, mas sim aplicabilidade. Acreditem na Ciência”, insistiu Rawache. (Fonte: O Povo).

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