Política

Ditadura de 64 causou a crise atual, ao “inventar” Lula para evitar a eleição de Leonel Brizola

É duro se deparar com a atual situação da política brasileira, que divide a preferência do eleitorado entre dois políticos de nível verdadeiramente baixo, como Lula da Silva e Jair Bolsonaro, dois personagens que chegaram à Presidência da República levados pelas circunstâncias, como diria o genial pensador espanhol Ortega y Gasset (1883-1955), que certamente estaria surpreso com a decadência da política brasileira.  

Ilustração reproduzida do Youtube

O pior é saber que toda essa derrocada somente veio a ocorrer devido ao temor dos militares brasileiros, que durante a ditadura fizeram o possível e o impossível para evitar que Leonel Brizola fosse presidente. Tinham medo de que Brizola ganhasse e conduzisse o país a uma nova cuba, coisas desse tipo, sem o menor fundamento.

AQUINO FAZ FALTA – Ao tocar nesse importantíssimo assunto, totalmente desconhecido pelas novas gerações, sentimos a falta do amigo Antonio Santos Aquino, que domina esse assunto como ninguém, mas anda sumido do nosso Blog.

Em 1964, Aquino era oficial da Marinha e foi perseguido pelos golpistas, por ser ligado a Leonel Brizola. Na Tribuna de Imprensa e depois aqui na Tribuna da Internet, com sua extraordinária memória, ele publicou uma série de artigos de grande valor histórico, contando como o general Golbery do Coutto e Silva, o principal ideólogo da ditadura, colocou em prática um plano ardilosamente preparado para impedir que Brizola chegasse ao poder, quando houvesse a abertura democrática.

Brizola era o grande líder da oposição, mas a ditadura “inventou” Lula

No início dos anos 70, com surpreendente habilidade, Golbery selecionou um jovem e ambicioso sindicalista para se tornar líder trabalhista de base, capaz de fazer carreira política e enfrentar Brizola, para reduzir os votos do político gaúcho, considerado imbatível em eleições diretas.

ASSIM SURGIU LULA – O jovem metalúrgico chamava-se Luiz Inacio Lula da Silva e foi indicado a Golbery pelo próprio patrão, o empresário Carlos Villares, que apoiava os militares.

Tudo isso é público e notório. Estão mais do que comprovados esses fatos envolvendo a ascensão de Lula no movimento sindical, no qual atuou como informante do então delegado Romeu Tuma, superintendente da Polícia Federal em São Paulo.

Portanto, não foi por mera coincidência que o chamado Sistema impediu em 1979 que Leonel Brizola, ainda no exílio em Portugal, recuperasse a sigla do PTB, entregue a Ivete Vargas por Golbery, que então era chefe da Casa Civil do governo Geisel e conduzia a abertura política. E também não foi por acaso que no ano seguinte, 1980, Lula tenha criado o PT, para dividir ainda mais os votos trabalhistas.

ELEIÇÃO DE COLLOR – Golbery morreu em 1987, ao 76 anos, e não presenciou o coroamento de sua obra dois anos depois, com Lula derrotando Brizola por pequena margem (0,57% dos votos) e indo ao segundo turno contra Fernando Collor de Mello em 1989, na primeira eleição direta pós-64. Lula perdeu para Collor com diferença de 6,06% dos votos, mas Brizola não teria perdido.

Portanto, pode-se dizer, sem medo de errar, que a ditadura militar foi responsável pela caótica situação do Brasil de hoje. Sem a sagacidade do general Golbery, que o cineasta Glauber Rocha considerava “o gênio da raça”, Brizola teria chegado ao poder e nossa realidade hoje seria bem diferente.

Com toda certeza, não estaríamos destinados a escolher entre um líder sindical corrupto, antiético e amoral, e um ex-militar que desonra e não representa as Forças Armadas, vejam a que ponto de degradação chegou a política brasileira.  (Por Carlos Newton / Tribuna da Internet).

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