Meio Ambiente

Chapada Diamantina: brigadistas se revezam para conter incêndio

O relevo acidentado e trilhas a pé que levam mais de quatro horas são algumas das dificuldades que brigadistas voluntários estão enfrentando desde a noite de terça-feira (23) para combater um incêndio que atinge o Parque Nacional da Chapada Diamantina, na região do município de Lençóis, na Bahia, onde o fogo está se propagando de forma mais rápida. Técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação Ambiental (ICMBio) receberam o alerta sobre o caso. Segundo brigadistas que trabalham no local, o fogo começou de forma repentina e foi potencializado pelo clima seco e quente da região, de mais de 30 graus.

Brigadista tentam apagar incêndio na Chapada Diamantina Foto: Açoni Santos/@aconi

O fotógrafo e guia turístico na Chapada Diamantina, Açoni Santos, foi um dos integrantes da Brigada de Resgate Ambiental de Lençóis (Bral) que esteve no combate na madrugada desta quarta-feira (24). “Chegamos na linha de fogo às 23 horas e ficamos até sete da manhã e tivemos que voltar porque acabou a água e a comida. Ainda não imaginamos a proporção do incêndio. Tem muitos brigadistas voluntários, além de contratados e bombeiros na serra nesse momento”, relatou.

Até chegar no que eles chamam de “cabeça do fogo” é necessário seguir andando por uma trilha por cerca de quatro horas, explica Léo Soares, integrante da Brigada Voluntária de Lençóis (BVL). “Chegamos de carro na região da Vila Histórica de Barro Branco, e depois é necessário adentrar por essas trilhas”, disse. De acordo com ele, há helicópteros e uma aeronave auxiliando na contenção das chamas, além de apoio de brigadas de municípios próximos e do próprio ICMBio, o que soma uma equipe com cerca de 50 pessoas.

Fogo destrói vegetação na Chapada Diamantina Foto: Açoni Santos/@aconi

Segundo Soares, o incêndio lembra o ocorrido no ano de 2015, quando 51 mil hectares foram devastados ao longo de três meses, com incêndios sucessivos que atingiram uma área de seis cidades da região. Por isso, o foco dos brigadistas é conter as chamas o quanto antes, para que elas não aumentem de proporção e nem se alastrem para áreas de municípios vizinhos. “Nosso maior medo é que se espalhe”. A expectativa das brigadas é que o fogo consiga ser contido até a noite de quinta-feira (25), mas eles temem que o trabalho se estenda por vários dias.

Perdas ambientais

Em um território que concentra três biomas diferentes (Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado), o Parque Nacional da Chapada Diamantina guarda uma biodiversidade rica e, de acordo com Açoni Santos, ainda pouco estudada. “Perdemos bens que nem imaginamos que temos. A perda de biodiversidade é grande. O fogo varre tudo”.

Mesmo com a visibilidade prejudicada no período da noite, Santos conta que viu pelas trilhas uma série de aves e pequenos animais mortos. “Cada pedaço que conseguimos controlar são orquídeas, bromélias, velozias, árvores, pássaros e muitas outras espécies que ajudamos a preservar”.

Brigadistas têm receio de que o fogo se espalhe Foto: Açoni Santos/@aconi

O ICMBio informou, por meio de nota, que uma equipe de 40 pessoas, entre brigadistas do Instituto e voluntários, seguem com as atividades de combate ao incêndio no interior do Parque Nacional da Chapada Diamantina.

“No momento, outros 16 brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e 13 do ICMBio estão em deslocamento para o local. Na linha de combate são utilizadas, principalmente, bombas costais, abafadores e turbo soprador”, diz o texto.

A nota acrescenta ainda que a partir desta quinta-feira (25) a operação contará com o auxílio de duas aeronaves (air tractor) do estado. “As equipes continuarão os trabalhos de forma ininterrupta durante esta noite e madrugada”. (Fonte: Istoé).

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