Política

‘Planalto propôs até alterar a bula da cloroquina’, diz Mandetta

O depoimento ontem do ex-ministro Henrique Mandetta foi efetivamente arrasador contra Bolsonaro e o seu governo pela inação que ele assumiu no combate ao coronavírus. Disse que o presidente da República contrariou orientação do Ministério da Saúde, e que Bolsonaro com isso pode ter contribuído para espalhar mais rapidamente a pandemia. Na Folha de São Paulo a reportagem publicada hoje é de Renato Machado com Constança Resende e Julia Chaib.

Mandetta acusou Bolsonaro de ter adotado discurso negacionista

No depoimento à CPI do Senado, o ex-ministro da Saúde acusou também o presidente da República de ter adotado discurso negacionista diante dos fatos que surgiam. No dia 16 de abril de 2020, Mandetta chegou a escrever uma carta a Jair Bolsonaro defendendo o isolamento social, a vacinação em massa e o uso de máscaras anti-contaminação.

CONSTRANGIMENTO – Outros ministros do governo receberam cópias, mas o episódio terminou sendo constrangedor. Seu documento foi interpretado  como um caminho diverso daquele traçado pelo chefe do Executivo. No documento, Mandetta revelou ter acentuado expressamente que o posicionamento do governo deveria levar em conta que a pandemia se alastrava e que tal processo iria provocar um colapso no sistema de Saúde, com gravíssimas consequências para a população.

Numa declaração revelada pela GloboNews, ontem, Henrique Mandetta acusou o ministro Paulo Guedes de desonestidade intelectual, no episódio relativo à disponibilidade de recursos financeiros para o combate à pandemia. Mandetta afirmou que enquanto o presidente do Banco Central Roberto Campos Neto ligava para ele apoiando o seu trabalho, pelo contrário, Paulo Guedes, cometendo uma desonestidade, falava apenas o seguinte: já mandei o dinheiro , agora que se virem lá. E vamos tocar a economia.

Pela frase, Mandetta interpreta como tendo sido uma das vozes que influenciou erradamente o presidente da República.  Diante da acusação gravíssima, o senador Randolfe Rodrigues apresentou à CPI requerimento para que Paulo Guedes seja imediatamente convocado a depor.

CLOROQUINA – Outro episódio gravíssimo foi apresentado pelo ex-ministro da Saúde dizendo que o vereador Carlos Bolsonaro participava das reuniões do Palácio do Planalto em relação ao combate à pandemia. Numa dessas reuniões, o gabinete do Palácio do Planalto sugeriu a edição de um decreto para alterar a bula da cloroquina e incluir, entre as recomendações traçadas, mais uma, estendendo a sua qualidade no combate à Covid-19.

Na minha opinião trata-se de uma afirmação profundamente preocupante, pois entre os seus efeitos negativos, além de se chocar com as pesquisas científicas, o remédio poderia se transformar em fator de risco para a saúde e a vida das pessoas.

Pretendia publicar esta parte do artigo na edição de amanhã, pois a de hoje já estava editada e acessada por leitores. Entretanto, pela gravidade científica e política das declarações , vejo que a matéria da Folha de São Paulo, e do O Globo e do Estado de São Paulo focalizam a extrema situação na qual o Planalto se envolveu.

DESORIENTAÇÃO – Na edição de hoje da Folha de São Paulo, Ruy Castro destaca um panorama de desorientação do governo Bolsonaro enquanto o ex-ministro Delfim Netto também condena o comportamento do governo no combate à contaminação acelerada da virose.

Na voz de Delfim Netto pode ser incluída a voz da Federação das Indústrias de São Paulo, principal núcleo empresarial do país. (Pedro do Coutto/ Tribuna da Internet).

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