Política

A um passo do fim do governo, Bolsonaro desafia o Supremo e ameaça a democracia no País

No evento na tarde de ontem, no Ministério das Comunicações, o presidente Jair Bolsonaro, sentindo fugir o seu espaço político, desencadeou ataques ao Supremo Tribunal Federal, aos governadores, aos prefeitos, e disse que tem a certeza de que qualquer ato que tome será aprovado pelo poder Legislativo. A matéria, como é lógico, está publicada no O Globo, na Folha de São Paulo e no Estado de São Paulo, os três principais jornais brasileiros.

Bolsonaro disse que não será contestado por nenhum tribunal

Bolsonaro disparou seus ataques especialmente ao STF dizendo que está preparando um decreto, acentuando que deseja ver se haverá alguma reação. O presidente da República, impulsionado pelo seu projeto autoritário, o qual na minha opinião nunca escondeu, voltou a atacar fortemente a China, frisando que o principal parceiro comercial do Brasil criou um vírus em laboratório para sua política de expansão ideológica.

ATAQUES – Atacou os governadores e os prefeitos afirmando que vai assinar um decreto impedindo que eles estabeleçam isolamento social e a redução das atividades comerciais. Jair Bolsonaro citou a Constituição Federal dizendo que ela garante o direito de ir e vir.

A meu ver, o chefe do Executivo prepara uma ruptura praticamente total no regime democrático. Inclusive porque o STF , o Congresso, os governadores e prefeitos desafiados contra seus poderes não podem recuar diante da necessidade de uma resposta. A acusação e a resposta terão inevitavelmente reflexos no setor militar do país.

Não é possível que o presidente da República ameace com decretos, dizendo que será cumprido e não será contestado por nenhum tribunal.  Ainda em relação ao Supremo, Bolsonaro acrescentou literalmente ” não ouse contestar o decreto; quem quer que seja; sei que o Legislativo não contestará”. Não pode haver nenhum desafio mais direto do que esse feito pelo presidente da República. Escrevo esse artigo na manhã de hoje por considerar a urgência de que o episódio se reveste.

Depoimento de Mandetta na CPI não foi bom para o presidente

DEPOIMENTOS – O impulso presidencial teve base claramente nos depoimentos dos ex-ministros Henrique Mandetta e Nelson Teich à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga as omissões e os erros do governo no combate à pandemia. A democracia, na minha opinião, passou a correr grave risco e a solução da crise desencadeada deve se fazer sentir ainda ao longo do dia de hoje.

As afirmações do presidente da República constituem uma agressão frontal à Suprema Corte do país. O ataque à China agrava todo o panorama. O presidente Jair Bolsonaro transportou o país para uma atmosfera bastante semelhante à atmosfera de março de 1964 que culminou com a queda do presidente João Goulart.

Na política, o essencial é sentir-se a densidade da atmosfera e não, como costumam fazer os cientistas políticos, análises sobre uma superfície gelada. A política muda de instante em instante e assume caracteres difíceis de prever. (Pedro do Coutto / Tribuna da Internet).

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