Economia

Por falta de perspectiva, jovens do amanhã querem deixar o país

Reportagem de Fernando Canzian, Folha de São Paulo de segunda-feira, focaliza um problema de enorme dimensão que está atingindo metade da juventude brasileira. Jovens querem deixar o país achando que entre nós há uma falta de perspectiva para o acesso a um panorama favorável ao desenvolvimento e, por isso, para a construção do futuro em condições de proporcionar um avanço social indispensável.

O número de desencantados vem crescendo e a esperança é que ele decaia em 2050.

Os jovens, digo eu, são os autores do amanhã, os construtores do futuro e por esse motivo são fundamentais para as próximas décadas. Uma pesquisa que deu base à matéria foi feita pelo Atlas das Juventudes e também através  de estudos da Fundação Getúlio Vargas Social. Nada menos que 50 mil jovens encontram-se mergulhados no pessimismo e, assim, sentem-se numa fila que não caminha para frente.

MERCADO DE TRABALHO –  O número de desencantados vem crescendo e a esperança é que ele decaia em 2050, portanto daqui a 29 anos. Isso se a política global sofrer uma alteração bastante profunda. Não há motivo para otimismo. O mercado de trabalho encontra-se retraído e não se consegue perceber um caminho para que o avanço capaz de entusiasmar gerações possa retornar ao cenário nacional.

Jovens querem deixar o país achando que entre nós há uma falta de perspectiva.

Essa realidade é focalizada também em reportagem de Carolina Nalin e Alex Braga, O Globo, decorrente de uma análise do pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, incluindo dados comparativos fornecidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico OCDE.

A matéria e o seu conteúdo confirmam e acrescentam um aspecto que tem raiz na existência de uma sensação de mal-estar que acomete todos aqueles que alimentam a esperança de chegar a um novo horizonte capaz de compatibilizar a liberdade política com o progresso econômico, como ocorreu nos anos dourados  de JK, do início de 1956 a janeiro de 1961, quando o presidente eleito em 1955 transmitiu o cargo a Jânio Quadros.

TEMPO PERDIDO –  A partir daí, os fatos se complicaram no Brasil e agora estão se aprofundando ainda mais em consequência do governo Jair Bolsonaro. O ambiente não é favorável a qualquer sonho e também à confiança nas décadas futuras, pois o estrago feito hoje no país, a partir da pandemia principalmente, exigirá muito tempo para ser modificado para melhor. O país tem que partir em busca do tempo perdido para que possa retornar à alegria de viver, trabalhando para chegar a um patamar compatível com a esperança.

É difícil, mas temos que continuar enfrentando as dificuldades presentes que atrasam a chegada de um novo panorama que devolva a perspectiva aos brasileiros e brasileiras. É preciso não esquecer que a juventude será eternamente uma usina de pensamentos e disposição capaz de mudar a realidade sombria dos dias de hoje.

CONTAS PÚBLICAS – Em um artigo assinado na Folha de São Paulo, Henrique Meirelles e Nelson Barbosa apontam como uma etapa inicial da maratona o saneamento das contas públicas. Mas como atingir esse patamar?

As contas públicas dependem do poder de consumo da população, uma vez que todo sistema tributário, direta ou indiretamente, repousa sobre o nível de consumo. Este é o grande impasse brasileiro de hoje que está freando o impulso para frente, pois esse parte de motivos concretos e não de teorias que tanto o papel quanto as telas dos computadores aceitam acionados por cérebros que não levam em conta o poder da emoção. (Fonte: Pedro do Coutto / Tribuna da Internet).

To Top
%d blogueiros gostam disto: