Política

Veja: CPI exibe vídeo de Wizard debochando de mortos pela Covid

A CPI da Covid-19 exibiu, nesta quarta-feira (30), um vídeo do empresário Carlos Wizard debochando de pessoas que morreram em decorrência da Covid-19. Na gravação, Wizard dizia que a culpa dos óbitos na cidade de Porto Feliz, interior de São Paulo, foi da não aceitação do tratamento precoce contra o novo coronavírus pelas próprias pessoas que faleceram. O tratamento, no entanto, não tem reconhecimento da comunidade científica, nem mesmo de autoridades sanitárias brasileiras.

A CPI da Covid-19 exibiu vídeo de Wizard debochando de pessoas que morreram da Covid-19.

“(O prefeito) preparou um kit, com primeiros sintomas da doença, (paciente) recebe o tratamento, e sabe o que acontece? Ninguém morreu de covid-19 na cidade de Porto Feliz. O Ministério da Saúde indica que teve cinco óbitos de covid. De fato teve cinco óbitos”, disse o empresário no vídeo solicitado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) para ser exibido na CPI.

Sorrindo, Wizard prosseguiu a fala na gravação apresentada. “Mas, sabe de quem foram aqueles cinco óbitos? Daqueles que ficaram em casa e que não foram em busca do tratamento precoce”, disparou na ocasião.

O último boletim da Covid-19 em Porto Feliz, divulgado nesta quarta-feira (30) indica que foram registradas 122 mortes pelo vírus na cidade e 8.958 casos desde o início da pandemia. Outras 279 pessoas são monitoras para confirmar ou não se estão infectadas pelo novo Coronavírus.

Em resposta a gravação exibida mostrando o deboche de Wizard, o presidente da CPI, senador Omar Aziz reagiu. “Iremos recorrer fazendo um apelo ao ministro, para que possamos dar com essa fala do senhor de exemplo, não pode ficar impune, isso não pode ficar impune, em nome de 516 mil vidas, não pode rir disso”, rebateu Aziz.

Justificativa

O empresário Carlos Wizard começou seu depoimento à CPI da Covid nesta quarta-feira buscando justificar o fato de não ter comparecido para depor à comissão antes – fato que gerou um grande desgaste de Wizard frente aos membros do colegiado. Segundo Wizard, ele estava nos Estados Unidos desde março deste ano, já que seu pai, de 87 anos, mora no país e está com a saúde debilitada. “No momento que ele mais precisa de apoio”, disse Wizard.

“Jamais em tempo algum passou pelo meu pensamento, na minha mente, a indisposição de esta presente fazendo meu depoimento, não tenho razão para isso”, afirmou. O empresário afirmou ainda que a filha, grávida, também mora nos Estados Unidos, e enfrenta uma gravidez de risco. “Seu bebezinho nasce nos próximos dias, meu neto de numero 19. Se a sua filha tivesse prestes a dar a luz, o que você faria?”, disse o empresário à CPI.

Wizard negou que tenha participado ou tenha conhecimento do chamado “gabinete paralelo” de assessoramento ao presidente Jair Bolsonaro em assuntos da pandemia. Ele afirmou também que nunca fez “qualquer movimento” para a compra de medicamentos para enfrentamento à covid-19 ou financiamento de comunicação sobre o tema. 

“A minha disposição de servir o País, combater a pandemia e salvar vidas faz com que seja acusado de pertencer a um suposto gabinete paralelo, afirmo que jamais tomei conhecimento de qualquer governo paralelo. Se porventura esse gabinete paralelo existiu, eu mais tomei conhecimento ou tenho informação a respeito. Jamais foi convocado, abordado, para participar de qualquer gabinete paralelo, é mais a pura expressão da verdade”, afirmou Wizard, que alegou ainda não ter tido qualquer encontro particular com o presidente Jair Bolsonaro.

Sobre o tratamento precoce, que não tem eficácia comprovada para tratar a covid-19, Wizard alegou que, no início da pandemia, havia uma “compreensão sobre o uso de alguns medicamentos”, mas que com o passar do tempo e aprofundamentos dos estudos, hoje existem “posições contrárias” a esse método. “Atualmente há posições contrárias ao tratamento preconizado no passado, a despeito da conduta médica adotada, a ciência compra que a vacinação é elemento essencial para controle da pandemia, sempre apoie a imunização, a ponto de querer doar vacinas ao povo brasileiro”, disse.

Ele negou também que tenha participado de tratativas de aquisição da vacina Convidecia, do Laboratório CanSino. “A imunização de rebanho é outro tema que escapa aos domínios do meu conhecimento. Esclareço por fim que não fiz qualquer movimento para compra de medicamentos para combate da covid-19 e nem tampouco financiei qualquer espécie de comunicação nesse sentido, inclusive a empresa Belcher em nota pública declara expressamente não ter qualquer vínculo de minha parte na tratativa da aquisição das vacinas Convidecia”, afirmou o empresário.

Logo após essas afirmativas, Wizard comunicou aos senadores que ficará em silêncio. “Por fim, feitos esclarecimentos, por orientação dos meus advogados e em conformidade doravante vou permanecer em silêncio”, disse. (Fonte: O Tempo).

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