Cultura

Capela: dos anos 60 aos 90, uma entrevista com Evaristo Nazaré

A história de Capela do Alto Alegre, no Território da Bacia do Jacuipe-Ba, pode ser contada de diversos ângulos, e cada morador traz um olhar diferente do passado, presente e futuro da ‘Capela de Açúcar’.

O Interior da Bahia ouviu Evaristo Nazaré, capelense de 67 Anos, que contou um pouco da história da sua cidade, trazendo um balanço das décadas de 1960, 1970, 1970, 1980 e 1990.


Evaristo, ex-radialista e músico capelense

1960

“Eu era adolescente na época, e tenho boas recordações de Capela, que nesta década era povoado de Riachão do Jacuípe, inclusive, ainda não havia calçamento. Falando em termos de cultura, musicalmente, aqui predominava o sertanejo, havia um serviço de alto falante próximo de onde hoje é o Banco do Brasil, onde tocava músicas sertanejas, no disco de vinil, mas a juventude se ligava mesmo era na Jovem Guarda, o sucesso da época era Roberto Carlos, Caetano, Erasmo, Wanderleia, Eduardo Araújo. Nos bares tocava muito a MPB, no bar de José de Daniel, no bar de Tota, o bar de Cornélio…Onde todo final de semana havia festa dançante, e tinha também o abrigo da dona Nina, onde tinha um rádio ligado o dia inteiro. A Jovem Guarda chegou a Capela justamente através do rádio, ouvia-se a Rádio Nacional e também a Rádio Globo do Rio.”

1970

“Capela tinha uma vida tranquila, hábitos ruralistas, na década não havia energia elétrica, e chegou um gerador que fazia um barulho enorme, uma das minhas lembranças marcantes é que nas noites de lua, os adolescentes se juntavam pra brincar de roda”.

1980

“O povoado se desenvolveu, pessoas da zona rural vinham construir casas, veio a necessidade de calçamento. Na  época, Lindú e Áureo Ferreira de Oliveira, que eram vereadores por Riachão, passaram a lutar pela emancipação do município, em 1985. O deputado Gerson Gomes fez o projeto de emancipação no qual Capela se tornou cidade, junto com Pé de Serra e Gavião, vindo Nova Fátima depois”.


O prefeito Vavá, seu Lindú e apoiadores em comício na década de 1990

1990

“A novidade que chegou a Capela no início da década foi o telefone, havia um posto de telefone e fazia a ligação através da telefonista.

A emancipação foi um avanço, vieram as primeiras grandes obras, em 90 Capela  já tinha seu segundo prefeito, que foi Osvaldo Fernandes, o Vavá. Daí veio o Banco do Brasil, o Mercado, escolas, eletrificação rural.

Em 1992, foi eleito o terceiro prefeito, Arismário Gomes, que trouxe o asfalto para Nova Fátima. Fez um bom primeiro ano de governo, mas, devido a seca, veio a enfrentar muitas dificuldades.


Capela nos anos 90

Em 1996, veio novamente Osvaldo Fernandes, creio que nas décadas passadas cada um prestou sua parcela de contribuição para o município, não só prefeitos, políticos, mas trabalhadores em geral, e todos que fizeram da nossa Capela o que ela é hoje, uma cidade com grande potencial para o desenvolvimento”

Por Alan Rodrigues / Interior da Bahia

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